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Parabéns Professor(a)



Neste dia com um simbolismo nacional tão forte não poderíamos deixar esquecer o dia mundial do professor. Seres tão especiais por vezes esquecidos, socialmente e politicamente, quando aguardam de malas feitas qualquer local para ensinar à espera de uma colocação. São como caracóis ambulantes que arrastam sapiência e que por vezes deixam a sua própria família para se agarrar à nossa, pelo gosto de ensinar.
São eles que acolhem os nossos filhos ainda tenros e que os vão acompanhando ao longo da vida e por isso lhes devemos umas palavras de homenagem.
Ainda me lembro do meu primeiro dia de escola. Do peso da mochila às costas carregado das primeiras letras, números, sons e cheiros de livros frescos. O conhecimento que me iriam dar e sobretudo o conhecimento que me iriam fazer procurar. Acho que esse é o segredo de um bom professor, não é só o que ensina mas o que inspira a aprender mesmo fora de sala de aula, pela vida fora. Esse professor que ensina as primeiras letras e números fica gravado em nós, para o bem e para o mal, por isso valorizo essa figura fulcral de professor de 1º ciclo.
Os primeiros professores que se conhecem no tempo eram mestres pensadores e o acesso à educação era um privilégio para elites. Ficam gravados na história os conhecimentos desses mestres como Aristóteles, Euclides, Platão, Sócrates, Pitágoras, Tales, entre tantos outros Matemáticos ou Filósofos, simplesmente pensadores, porque observavam o mundo e o que queriam compreender. Hoje em dia, a educação é um direito nacional e apesar das desigualdades sociais todos podem aproveitar este privilégio que se conquistou, o que por vezes não acontece. Relativamente ao professor esse deveria continuar a ser mestre, um profeta do conhecimento, quem busca, aprende e dá!
Neste desejo de dar é preciso um canal recetor de permitir receber, o que nem sempre acontece. O professor trabalha esse canal, convivendo muitas vezes com o ruído da indisciplina, da insatisfação dos pais, de turmas numerosas, da diversidade de alunos em sala de aula com ritmos de aprendizagem diferentes, com programas extensos e por vezes desadequados às necessidades presentes e futuras das nossas crianças e adolescentes. Por vezes, situações desmotivantes que nós pais podemos colaborar. As regras começam em casa, seremos sempre exemplo de quem procura aprender, valorizar o papel do professor, entender muitas vezes os seus erros humanos e acompanhar simbioticamente o processo de ensino-aprendizagem para que no futuro se criem adultos mestres, que queiram continuar a aprender e a dar de si!
Termino parafraseando uma citação de Agostinho da Silva, um nome tão importante em pedagogia e com ensinamentos tão atuais:

“Ser mestre não é de modo algum um emprego e a sua actividade se não pode aferir pelos métodos correntes; ganhar a vida é no professor um acréscimo e não o alvo; e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-se pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro.