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Mães e crianças que não sabem parar



Tempo de férias, tempo de pausa. Tempo para ouvir “Não sei fazer nada”! 
Como mãe e sobretudo como professora, sinto que cada vez mais as nossas crianças e adolescentes não sabem esperar, não sabem escutar, aguardar pelo seu tempo com paciência e satisfação. 
A quantidade de brinquedos, horário repleto de atividades, televisão a tempo inteiro, a velocidade em que obtemos informação, a rapidez das tecnologias! 
Neste campo, penso que devemos assumir mea culpa. Passamos a vida a correr, fazemos com que a vida dos nossos filhos seja uma corrida e quando damos conta, o que nos resta é o cansaço de uma corrida, sem apreciar o caminho! 
Se não sente isso atire a primeira pedra! Eu sinto-o e já percebi o quanto este stress é prejudicial. Por isso, nesta minha caminhada tenho tentado sentar-me, parar, perceber para onde quero ir e onde será sensato levar os meus filhos. Evidentemente, que quero caminhar mas não de uma forma desgastante e desorientada. 
A minha dificuldade é dizer a uma criança que nem sempre o caminho se faz correndo. Como ensinar uma criança a conter a energia que tem que extravasar. Será que o caminho é pará-lo com um telemóvel ou tablet? Será que o caminho é colocá-lo numa redoma com abstinência para as solicitações do mundo contemporâneo? 
E eu? Que exemplo represento neste meio, se quando o meu filho me olha à espera do meu olhar e os meus olhos estão fixos num ecrã? Será que eu também não tenho que aprender a desligar-me, a parar, esvaziar a mente e estar com eles, apenas com eles. A um ritmo mais lento, aprender a parar, a estar aqui e no presente, extravasando energia com o que sabe bem e que nos une. Às vezes parar pode ser só um olhar nos olhos, uma forma de estar absoluta e verdadeira, apreciar o que nos envolve e deixar-nos ir. Para extravasar energias deixar a criatividade fluir, a arte de nos recriarmos a cada dia que se cria. 
Ainda estou a aprender a parar e isso devo sobretudo, à existência dos meus filhos. 
Obrigada meus queridos.