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Atividade Extra-curriculares



Quantas atividades extra-curriculares, muitas, nenhumas ou algumas? Em tempos estive com essa dúvida e não a quebrava.
A verdade é que não quero entupir os meus filhos com tudo e que eles não guardem nada.
Se aprendi que a minha vida stressante me adoeceu não seria justo fomentar uma vida de corre-corre para mim, nem para os meus filhos. Quero que gozem o tempo de crianças, o direito de nada fazer, o tempo de estarem em família, de descansarem e de brincarem livremente. Também não quero transformar-me no Uber dos meus filhos. Portanto, excluiu-se o “muitas”!
Por outro lado, um desporto faz bem, um instrumento musical desenvolve a concentração, uma língua estrangeira aprende-se melhor nos primeiros anos de vida…Portanto, excluiu-se o “nenhumas”!
E lá vem o princípio de parcimónia que acredito que devemos ter em tudo na vida, por exclusão de partes fica o “algumas”.
Escolheram um desporto (de preferência coletivo) e um instrumento. 
Não tenho esperança de Ronaldos, nem Michael Jordans, nem Mozarts ou Vivaldis apenas miúdos que experimentam, que retiram o melhor que o desporto, a música e a vida lhes possa dar, que no final saibam fazer escolhas e decidir lutar por elas.
Um dia, num torneio de basquetebol do meu filho mais velho compreendi o quanto a decisão estava acertada e quebrei finalmente a dúvida. Não porque encestou 31 vezes mas porque a sua preocupação era fazer equipa, passar a bola aos mais fortes, mesmo que seja por insegurança que irá ser certamente treinada no futuro, senti que o fazia mais por camaradagem, por saber estar em equipa, por perceber que não está sozinho no mundo.

Senti uma espécie de missão cumprida porque afinal o desporto é mais do que um estilo de vida saudável e porque o meu filho estava a aprender também por força do desporto, aquilo que alguns adultos ainda não sabem.