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O que aprendo contigo todos os dias


Apetece-me pegar em ti e levar-te ao outro lado do mundo. Adormecer numa cama de rede e cheirar-te a cabeça sempre que me apetecer. Mergulhar contigo nas ondas quentes do pacífico, ver-te comer areia cheio de prazer de quem descobre uma coisa completamente nova. Às vezes esqueço-me de que é a primeira vez que sentes a areia nas mãos e nos pés, que para ti um por do sol cor de rosa é completamente normal, que a água fria não te limita. Tens o mundo todo por explorar filho. Tudo. O prazer de ler um livro, de comer um gelado ainda com sal no corpo, de ouvir os passarinhos cantar, de abraçares amigos queridos. Falta-te conhecer ainda tudo. Todos os países, músicas, línguas, museus, parques, estradas e ruas. Tens tudo à tua frente. E todo o entusiasmo para seguires pelo caminho que vais traçando. Porque qualquer dia és uma pessoa como nós, com passado, com sentimentos recalcados, com dúvidas existenciais, com cansaço acumulado. Não tenho a ideia idílica de que não o vais ser, mas que sejas tudo isso com mais leveza. Com outras prioridades, com mais amor. Que vejas mais vezes e penses mais vezes em coisas bonitas do que eu. Que aproveites tudo, ao máximo, sem medo das consequências. Que te consiga transmitir a força da decisão que tomei há pouco tempo, que consigas decidir exactamente pelo que te faz mais feliz. E que vejas muito. Com os olhos e com o coração. Que não sigas tanto a cabeça. Que ouças mais o coração. A vida e as pessoas. Aquelas que te trazem momentos felizes e afastam os maus. Que sejas livre, leve. Que não te leves demasiado a sério. Que me sorrias sempre como sorris agora quando deixo cair alguma coisa ao chão e fico chateada. E tu ris, à gargalhada. Que vejas em mim o melhor que eu posso ser e que eu aprenda contigo todos os dias a rir mais à gargalhada.