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As termas já não são o que eram (e ainda bem)



Antes de vos levar comigo e com a minha família numa relaxante e inspiradora viagem até às Termas de Luso, queria agradecer as mensagens e comentários que temos recebido a estas crónicas. É nestes instantes que me volto a sentir jornalista e em que acredito cada vez mais no importante papel do Mães.pt na vida de muitas famílias portuguesas. 

Mas como não vos quero fazer perder o tempo que podiam estar a usar para marcar a próxima escapadinha em família, vamos atalhar caminho e seguir para o Luso. 

Não foi a primeira vez que explorámos o Luso, mas foi a primeira vez que o fizemos a quatro. A verdade é que toda a logística muda e o descanso não é o mesmo, mas também é verdade que já não nos imaginamos a viajar sem eles, tais cangurus com os bebés sempre na bolsa.

A parte boa deste destino é que fica a cerca de 2H de viagem de carro de Lisboa e a pouco mais de 1H se viverem no Porto, sendo que podem sempre aproveitar a hora da sesta das crianças para que a viagem seja menos chata para eles e menos dolorosa para os vossos ouvidos com tantos "demora muito?" ou "quando chegamos?".

A calma e a tranquilidade da zona do Luso é indiscutível e ainda nem estou a falar das termas. Há toda a envolvência da Natureza e um ar puro que já respira em tão poucos sítios que nos sentimos a viajar para mais longe do que o destino onde de facto chegámos. E essa sensação acentua-se quando vislumbramos o Grande Hotel de Luso e a sua imponente arquitetura do início da década de 40. São quase 80 anos de História e de histórias que aqui se viveram com uma tranquilidade contagiante. E até parece que os miúdos também ficam em modo mais "zen" - ou se calhar foi só impressão minha porque quando chegámos eles estavam cansados da viagem e da semana de colégio. 

A vantagem de ficar neste hotel é que tem ligação direta às termas e com miúdos o melhor é mesmo ser tudo simples e prático, certo? Além disso, o Grande Hotel do Luso tem uma piscina olímpica exterior com bar e esplanada de apoio e uma zona relvada e uma piscina interior para que não tenham de se preocupar se o tempo vai estar bom ou se vai chover. 

Inspira, expira e relaxa

Mas vamos falar de termas porque tenho a certeza que as mães estão em pulgas por saber como funciona. O meu primeiro conselho é colocarem os miúdos no serviço de baby-sitter do hotel pelo menos durante umas horas para que possam relaxar a 100%. Foi isso que fizemos logo no sábado de manhã e partimos à descoberta do circuito Acqua Sensations, enquanto os miúdos deliravam com um passeio em modo “mini-exploradores à descoberta do hotel”. Só posso garantir que eles adoraram, mas nós acho que gostámos ainda mais. 

Depois da festa do nosso casamento, de um ano cheio de trabalho e com duas crianças pequenas, o que mais nos apetecia era isto. Esquecer as dores de cabeça, experimentar a água de Luso, levar uma “sova” no duche de ampulheta, desfrutar de um circuito de águas que nos transporta para outra dimensão ora pelos jatos de água, ora pelos aromas e diferentes temperaturas – tanto que adormeci na área de relaxamento e eu nem sou de dormir em lado nenhum – e terminámos com um duche Vichy com massagem de chuva termal que me ajudou a descontrair cada músculo, mas sobretudo a “limpar” a cabeça. 

Quando fomos buscar os miúdos estávamos literalmente de sorriso no rosto e de baterias carregadas. Mas não há só estes tratamentos: há massagens para todos os gostos e necessidades, desde a detox adelgaçante ou anti-celulite até à massagem facial anti-stress ou de relaxamento profundo, passando pelo shiatsu ou pela termoterapia; há uma zona que se chama emanatório onde podemos simplesmente relaxar enquanto inspiramos os gases emanados pela nascente que está indicado para problemas de hipertensão e perturbações do sistema nervoso central; e há uma piscina deslumbrante que vemos em todas as pesquisas que fazemos no Google sobre as termas de Luso. Aqui a temperatura é elevada, o que contribui logo para o aumento da sensação de relaxamento e os traços de arquitetura ajudam a nossa mente a viajar para longe. 

E enganam-se se acham que ir para as termas é programa para seniores. A verdade é que é um programa para todas as pessoas que se querem sentir bem e isso nota-se na oferta que é cada vez mais diversificada e nas instalações que são mais modernas. 

Bussaco e Portugal dos Pequenitos

Se acham que ir ao Luso é só ir às termas e voltar enganam-se redondamente. Percam-se nos trilhos da Mata do Bussaco, de preferência a pé, exceto se tiverem crianças pequenas e aí sugiro que levem o carro para visitar as fontes, cascatas, miradouros e lagos desta serra, bem como o Palácio que foi convertido em hotel e que tem uns jardins deslumbrantes. 

O Portugal dos Pequenitos é outro local de paragem obrigatória para quem tem crianças. Nós vamos todos verões e a verdade é que todos os anos parece que entramos num sítio novo e não é por causa das remodelações que eles vão fazendo, é porque os miúdos se esquecem dos pormenores – e nós também – e acabamos sempre por ver o espaço de outra perspetiva. Eles voltam a entrar nas pequenas casinhas com o entusiasmo de quem vê tudo pela primeira vez e nós derretemo-nos com as suas gargalhas quando tocam no sino ou quando percebem que há corredores que vão dar a outros edifícios. Além das casinhas, há um comboio que faz o circuito completo, um parque infantil e várias lojas para a aquisição de lembranças, mas também de gelados que eles nunca resistem. 

Não dá para não falar do leitão, certo?

Se são vegetarianos, ignorem esta parte, se não apontem no smartphone o nome “Rei dos Leitões”. A poucos minutos do Luso, chegamos à Mealhada e quem passa por aqui já sabe que vai encontrar leitão porta sim, porta sim. Há todo o tipo de nomes de restaurantes, mas poucos são aqueles que não têm a palavra leitão no nome. 

Já fui a alguns restaurantes na zona, mas o que escolhemos desta vez acho que foi o melhor. Eu até não sou das maiores fãs de leitão, mas o meu marido é e segundo ele: este estava para lá de perfeito. Pele estaladiça, carne saborosa e suculenta e umas batatas fritas que arruínam qualquer dieta. Para os miúdos também houve sopa e pela primeira vez em muito tempo gostei do detalhe de não ter de passar 5 minutos a soprar para que arrefecesse a tempo deles não fazerem birra por estarem “cheios de fome”. Basicamente estava na temperatura certa e até a Leonor comeu a sopa toda e sem fitas, o que é muito raro. 

Deixo só uma recomendação: reservem antes porque se não o fizerem correm o risco de não conseguirem mesa. Nós quando fomos era cedo e a verdade é que já não havia lugares disponíveis, mesmo sendo um restaurante com várias salas. 

Conselho de quem já queria voltar 

Quando estiverem no Grande Hotel do Luso não se esqueçam de ir à janela e/ou varanda do hotel logo de manhã para desfrutar da paisagem e da sensação de paz. Inspirem fundo, expirem e esqueçam as dores de cabeça. 
E se quiserem espreguicem-se, sabe bem e faz ainda melhor!