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O Colo Mãe



Tenho dificuldade em defini-lo numa palavra só, e sendo entendida no assunto prefiro simplifica-lo numa de dimensão, o Colo do Amor. 

Cresci rápido, não somos todos iguais, e, talvez por isso o usufrua mais agora do que quando era miúda. 

Não que a minha mãe não tivesse um colo para dois, mais viessem, mas porque simplesmente queria crescer. 

Longe das lamechices, na minha independência imatura, mas tão minha. 

De tal forma que hoje preciso dele, aproveito-o como não tinha feito antes, e valorizo-o mais do que nunca. 

A idade também nos traz isto, a percepção da vida na perspectiva certa. 

Depois de ser mãe este Colo personalizou-se, e é tão dele. 

Começou no dia em que nasceu, e espero que até para sempre. O Colo que chorou quando as cólicas o fizeram chorar, o Colo que o adormeceu, mesmo quando toda gente proferia “vai ficar mal habituado”, o Colo que amparou a primeira queda, o colo do mimo, forte combatente de birras, o Colo de felicidade da primeira palavra, o Colo da Mãe. 

Cresceu, aprendeu. Sim, o colo passa por uma evolução e aprendizagem que não imaginam. 

Hoje é o Colo das histórias, continua a ser o das quedas, é o da preguiça quando corre mais do que as pernas deixam no parque, e continua a ser o do mimo, mas só quando ele quer. 

Assemelha-se a uma espécie de Colo mágico, aquele que cura até o que acreditamos não ter solução. 

Não sei como será daqui para a frente, mas acima de tudo que seja o Colo das partilhas, dos sonhos, dos medos, da coragem, que seja sempre o Colo dele, afinal é o Colo da Mãe.