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Somos de todas as cores



O rosa para elas e o azul para eles. Então e eu que sempre gostei de azul, tenho que vestir cor de rosa? Isso fará de mim menos menina? Os vestidos são para elas e as calças são para eles. Então e nos países onde os homens andam de vestidos são menos homens ou menos meninos por isso? 

Nas brincadeiras de criança, a menina tem um bebé para brincar, dar biberão e mudar a fralda, mas depois no mundo dos adultos queremos que os homens tirem licenças de parentalidade, apesar de terem crescido a brincar com carros e oficinas, apesar de nunca termos normalizado esta questão. 

Este artigo é um desabafo e também um apelo porque, se é verdade que a Humanidade já conquistou muitos direitos para as mulheres e para os homens, a verdade é que há ainda muito por fazer. Enquanto mãe, é para mim vital e estrutural na educação do meu filho (rapaz) esclarecer e solidificar esta igualdade. Acima de tudo, nas oportunidades. Para mim, a única diferença entre homens e mulheres consiste no facto de as mulheres terem a graciosa, maravilhosa e mágica capacidade de gerar uma vida. Esta é a gigantesca diferença e parece-me que apenas esta nos difere verdadeiramente. 

À parte disto, temos a capacidade de fazer as mesmas coisas, assim tenhamos igualdade de oportunidades para o fazer. 

Tento refutar diariamente os estereótipos que nos impingem e aqueles que nós próprias temos nas nossas acções, por vezes sem ter noção. 

Onde? Como? Quem? Quando? 

Olhem à vossa volta e reparem que estão em todo o lado: nas prateleiras dos supermercados, nos anúncios da tv, nas séries dos desenhos animados, nos brinquedos dos nossos filhos, etc, etc. É o fim do mundo? Mania da perseguição? NÃO. Não é o fim do mundo e não é perseguição, está lá é real e temos apenas que criar filtros aos nossos filhos para quebrarem os ciclos que vêm de trás e serem capazes de ser justos e saudáveis consigo e com os outros. 

Talvez seja um bom princípio começarmos por dentro, pelas nossas casas… qual a divisão de tarefas que fazemos em casa para eles e para elas? Que brinquedos compramos aos nossos filhos? O que dizemos se o nosso filho quiser ir para o ballet? O que dizemos se a nossa filha quiser ir para a luta livre? Como explicamos aos nossos filhos que as meninas um dia vão ganhar menos que os homens só porque são mulheres? Como explicamos que não há brincadeiras de meninos e brincadeiras de meninas? Nem cores de meninos e cores de meninas? E que os meninos também choram? 

Às vezes, esquecemo-nos que ainda há muito por fazer porque, felizmente, vivemos hoje num país cujo contraste já não é tão gritante, mas ainda existe. Já não estamos numa época em que a mulher tem que pedir autorização ao marido para sair do país e outras aberrações do género, que aconteciam antes dos 25 de abril. Mas, ainda não está tudo feito, ainda há direitos a adquirir para elas e para eles!! Como a licença de parentalidade, por exemplo. Porque não há-de o homem ter direito a ficar mais meses com os seus filhos em casa? 

Porque há de ser sempre a parentalidade do homem a ser posta em causa em detrimento da capacidade da mulher se há pais extraordinários? 

Enquanto mães, educadoras e exemplos para os nossos filhos, parece-me que não devemos ser alheias a estas questões que são importantes desde cedo… 

Portanto, vamos vestir os nossos filhos de todas as cores, boa?