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Ser mãe solteira!


Sempre vi as mães solteiras como verdadeiras heroínas, que se desdobravam em mil para criarem os seus filhos, mas por mais valor que lhes desse e por mais que me colocasse no lugar delas, nunca conseguia imaginar a sua dura realidade, até que da noite para o dia me tornei numa delas. Sem aviso prévio fiquei sozinha, com três filhos para tratar e educar, não foi fácil de assimilar toda a mudança que estava a acontecer, mas sem dar conta as forças vieram até mim como por magia, como se em segundos me tivesse mesmo transformado numa daquelas heroínas dos desenhos animados que as minhas filhas vêm. 

Mas não foram só as forças que vieram até mim, vieram as responsabilidades, os medos, as inseguranças e honestamente até a falta de confiança em mim mesma, mas nem por segundos pensei em abandonar o barco, estava fora de questão, não o podia, nem o queria fazer. 

Por isso não baixei os braços, levantei a cabeça e fui à luta, os dias passaram a ter poucas horas para tanta coisa que tinha para fazer, o meu colo passou a ser o porto seguro em todas as horas, passei a ter a primeira e a última palavra em todos os assuntos que tivessem a ver com os miúdos, passei a ser a única fonte de rendimento, a única adulta em casa, assim como a sua única referência familiar. 

Mas na verdade o mais complicado foi mesmo o aprender a lidar com a ausência, com o vazio, pois mesmo em caso de divórcio, há saída de alguém de casa, da rotina, há um lugar vazio na mesa de jantar, há uma cama cheia de recordações a dois que passará rapidamente a ser só para um, há o anoitecer e a falta de conversa, de colo e de partilha. A noite passa de boa conselheira a pior inimiga, pois trás a solidão, a lembrança do que éramos, daquilo que tivemos, e nos relembra que temos um caminho duro e longo pela frente, se será fácil? Não, claro que não, mas vou ganhando todos os dias mais um pouco de força e experiência para aprender a lidar com as birras, com as dificuldades e acima de tudo que sou capaz, que sou merecedora de todos os desafios que a vida me dá. 

Sei que haverão dias em que as forças serão poucas, em que os desafios me vão levar aos limites, assim como os miúdos irão me dificultar a vida devido às características da sua idade, mas como qualquer mãe eu irei ter de me moldar e de os saber levar, mesmo com as noites mal dormidas, com o cansaço acumulado, com todos os medos e receios, eu irei sempre conseguir, mas no dia em que não conseguir, irei levantar a cabeça e seguir em frente, sem olhar para trás e sem dúvidas que o próximo passo irá compensar todos aqueles passos lados em falso, que fizeram com que por momentos tivesse dúvidas. 

Mas afinal o que é ser mãe solteira? 

É ser mãe, com tudo o que esse papel implica, só com uma diferença, vestir todos os dias o fato de Super heroína e fazer as tarefas que deveriam ser feitas por duas pessoas, na perfeição, sem reclamar e com o coração a transbordar de amor!