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Quando nasce uma mãe de berço vazio


Quando nasce um filho, nasce uma mãe. Todos nós já ouvimos e sabemos que uma mulher nasce como mãe, cuidadora e protectora quando a sua cria chega ao mundo. 

A maternidade transforma-nos, dá-nos ferramentas para lidar com a vida de uma nova forma, dá-nos a capacidade feroz de proteger e cuidar, de embalar e amar. Amar de uma forma genuína e pura. 

Em segundos um turbilhão de emoções se apodera de nós, passamos da dor ao amor, o instinto animal invade-nos e o mundo ganha novo sentido. 

Quando nascemos como mães o que mais queremos é chegar a casa com o nosso bebé, levá-lo para o nosso ninho, aprenderemos a ser mães, criarmos laços, ganharmos ritmos juntos no nosso conforto, amá-lo no nosso lar. 

Mas, e quando isso não acontece? Quando o nosso bebé fica no hospital, quando fica aos cuidados das equipas médicas? Quando chegamos a casa de colo vazio? Quando olhamos para o berço e o nosso bebé não está lá? 

O vazio toma conta de nós, o coração chora e os nossos braços ficam sem sentido. 

Não é suposto chegarmos a casa de braços vazios. É suposto termos o colo cheio e os olhos brilhantes. É suposto criarmos relação, uma fusão inicial na vida dos nossos filhos, entre eles e nós, é suposto ele ouvir a nossa voz, sentir o nosso cheio, reconhecer-nos. É suposto nós estarmos lá quando ele chora, quando a fome chega e o desconforto aparece. É suposto nós descodificarmos todas essas sensações e devolver tranquilidade, segurança e amor. 

Quando as coisas não correm como era suposto, nós aprendemos a gerir o medo e a angustia. Aprendemos a lidar com o colo vazio, aprendemos a viver um dia, uma hora de cada vez. Aprendemos a aguardar pelo resultado dos exames, pela reação aos tratamentos. Aprendemos a olhar o nosso bebé através de um vidro, a tocar nele menos do que imaginamos, a cheirá-lo ao máximo sempre que nos é permitido. 

Quando um filho nasce, nasce uma mãe, nasce um amor avassalador.