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Novos voos


Serei só eu a achar que o meu filho de 5 anos não está preparado para ficar já fechado numa sala de aulas? 

Serei a única a estar com o coração nas mãos quando se fala que ele vai ingressar na primária? 

Serei apenas eu a achar que ele deveria ter mais tempo para correr e sujar-se, para brincar e saltar, para se empenhar apenas com trabalhos específicos e não em matérias desnecessárias? 

Nem sequer vou pegar aqui num tema um tanto ou quanto controverso que são as chamadas “crianças condicionadas”, que ficará para outro post, mas que à partida conseguem já antever a minha posição enquanto mãe e encarregada de educação. 

Ora, pois, como se diz nos dias de hoje, o meu filho é finalista. Daqueles “falsos” finalistas de pré-primária. E se no meu tempo não existia nada disto, o peso destas palavras faz-me ficar ainda mais em pânico. Estou certa que estes meus pensamentos são uma tempestade num copo de água, mais certa ainda que ele vai adaptar-se melhor do que penso e sem dúvidas absolutamente nenhumas que as coisas vão encaminhar-se por onde tem de ser. Mas eu continuo serena mas não calma com esta situação. 

Primeiro porque cá está mais um sinal que o tempo está a passar rápido demais. Depois porque com isso me apercebo que ele está a crescer a um ritmo desenfreado e sem que eu consiga controlar isso. E em terceiro porque sinto que ele ainda é o meu pintainho e que ainda o consigo trazer numa espécie de casca de ovo improvisada. 

Não estou à vontade com isto e não tenho qualquer problema em dizê-lo. Aqueles corações ao largo vão dizer que sou uma louca. Aqueles que por lá passaram e já nem se lembram vão dizer que vai correr tudo bem, e haverá ainda aqueles que me acham uma verdadeira mãe galinha sem nexo ou sentido. E a todos eu respondo “pensem o que quiserem, ajam como pretenderem, opinem da maneira que acham mais correta” eu tenho o direito de me sentir assim. 

Faz-me confusão ficarem entregues a si mesmos tão cedo. A partir de Setembro ele vai ter de se orientar numa escola nova, a colegas novos (ainda que muitos transitem com ele, e ainda bem para mim), a uma sala nova. Ele vai ter de estar atento e quieto quando eu sei que ele estará em pulgas para brincar, terá de comer a sopa que não vai estar passada e se não comer ficará com fome porque não terá lá ninguém que lhe desvie os legumes que ele não gosta de comer, vai cair e terá de ser ele a levantar-se sozinho e a por água na ferida, vai ter de chegar a casa e rever matéria para não perder o fio à meada quando o que ele faz agora são os seus espetáculos sem fim e com direito a música em alto som. 

Se vai ganhar “músculos” para a vida?? Isso vai, mas com 5 anos não sei que necessidade há disso. 

O pequeno príncipe T está a ganhar asas maiores. Lido bem com isso. Sinal de tanta coisa boa que só tenho a agradecer. A minha única fraqueza é não conseguir amparar-lhe as quedas e as deceções com que cada vez mais se vai deparar.