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Entrevista | Raquel Soeiro



Raquel Soeiro é uma mãe inspiradora. 

A sua atitude perante a vida dificilmente poderá ser mais inspiradora para outras mulheres. 
Grávida de 1 mês, Raquel descobriu em agosto de 2014 que tinha cancro da mama. "Jamais o cancro foi uma palavra negativa, como podia, se tinha comigo a melhor das palavras, uma filha". Raquel nunca pôs a hipótese de abortar, optou antes por combater a doença com todas as armas que tinha: durante a gravidez fez a cirurgia de extração do tumor e quimioterapia, no pós-parto os restantes tratamentos. Durante o processo, "nunca houve tempo para pensar no pior, o foco e a fé eram demasiado grandes para que o saldo não fosse sempre positivo".
A atitude de Raquel perante a vida só lhe pode trazer um futuro muito feliz. Afinal, "nunca sabes o quanto és forte, até que ser forte é a única opção que tens.” E, no caso de Raquel, sempre com um grande sorriso nos lábios. 

Raquel Soeiro, 1 filha de 3 anos, vive actualmente no Dubai, EAU e é Makeup Artist 

- Como descobriste que ias ser Mãe?
Numas férias em Portugal, um mês depois de começar a tentar. Senti-a borboletas no estômago, estávamos num shopping e às escondidas fiz um teste, se fosse negativo nem dizia ao Daniel, mas para surpresa deu positivo em menos de nada. 

- Parto natural ou cesariana? 
Parto Natural induzido às 38 semanas 

- Qual o momento mais especial da tua vida?
Há muitos momentos especiais na vida, muitos deles guardados como memórias, outros vivem presentes no dia-a-dia, a minha filha por exemplo, um momento feliz e maravilhoso foi vê-la nascer. 

- Qual o momento mais difícil que já viveste como Mãe?
Três meses depois da Isabel nascer apareceu-lhe um hemangioma no olho, um exame forçado, uma sedação forçada que deu errado, foi sem dúvida o momento mais difícil, ver a minha filha aflita e eu impotente sem puder fazer nada a não ser confortá-la. 
Poderia dizer que outro momento difícil teria sido quando fui diagnosticada com um cancro às 5 semanas e que me foi pedido para abortar, mas não foi, porque essa ideia nunca esteve em cima da mesa. Era um redondo não!

- Como queres que os teus filhos te recordem daqui a 40 anos?
Espero que recordem como a pessoa que mais os amou, assim como o pai, que recordem os valores que lhes ensinamos e transmitimos, que somos mais fortes do que pensamos, que nem sempre a vida segue em linha recta, que há momentos em que é preciso voltar atrás para depois seguir em frente. E que sobretudo recordem que estivemos sempre atrás deles para os apoiar. 

- Qual o teu Lema de vida? 
Nunca sabes o quanto és forte.

- O que ainda te falta fazer?
Falta tudo, não sei o que, mas sendo impossível prever o futuro acho que só nos resta aproveitar todos os momentos, fazer memórias e relembrar mais tarde. 

- Deixa uma mensagem para as outras Mães
Lembrar a razão pela qual quisemos ser mães, sermos fiéis a nós próprias, libertarmos do socialmente correcto, das ditaduras das tabelas e do percentil, ser mãe é 70% bom senso e 30% de regras. 

- E por fim uma mensagem para a tua filha:
Um dia escrevi num discurso de agradecimento no lançamento do livro “Filhos da Quimio”:
 “Ainda és pequenina para entender, mas um dia irei explicar-te o quanto foste, és e serás sempre especial e o quanto em determinado momento foste um farol no oceano, iluminaste o caminho durante 9 meses e sem ti não seria decididamente a mesma coisa. Teremos sempre um elo especial entre as duas, um amor que nem a própria morte separa, um amor maior que a vida!”

Fotos de António Pedro Ferreira - Expresso