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Babywearing – Mas afinal do que é que se trata?

Desde a gravidez que sempre soube que queria carregar o meu bebé. Não sei porquê simplesmente sabia e queria que ele estivesse sempre perto de mim, a ouvir o meu coração, o meu respirar, de modo a que eu o pudesse sempre abraçar e "alcoolizar-me" com o cheirinho de bebé recém-nascido. 

Quando entrei para este mundo pensava que só existiam panos e que bastava meter o bebé às costas e pronto lá ia eu à minha vida, com este Kit Mãos-Livres! Mal sabia eu do que me estava a meter. Primeiro veio aquela onda (tipo a da Nazaré de 30m sabem?) de informação de diferentes porta-bebés, e depois ergonomia (ó meu Deus!!!! A ergonomia), como posicionar corretamente a anca do bebé, como dar suporte à sua frágil coluna, regras de segurança, e depois veio então o meu instinto de mulher organizadora e consegui verificar, com ajuda e com os mais variados grupos de facebook e websites de marcas, o que é que se tratava tudo isto. Vou tentar resumir as minhas descobertas iniciais para vocês com algumas mais dicas de consultora (sim gostei tanto disto que depois me tornei consultora).


Uma coisa que acho que deve ser referida desde o inicio é que o babywearing dá para todos, temos é de encontrar o porta bebés que se adeque mais às nossas necessidades e à nossa família e para tal precisamos de experimentar (sabiam que existem serviços de aluguer de porta-bebés pelo País todo?). 

Tirando então isto agora do caminho acho importante referir o porquê de ser tão importante para o nosso bebé que acabou de nascer. Para recém nascidos tem imensos benefícios e isto é derivado do facto do nosso período gestacional se ter encurtado quando evoluímos para andar sobre dois membros. A bacia ficou mais estreita e de modo a haver sobrevivência da nossa espécie por volta de 40 semanas o bebé então é "obrigado" a nascer mais cedo. Contudo o estado emocional e físico do bebé manteve-se! 


Daí a dizermos que os primeiros três meses são os mais difíceis e até eles atingirem o mesmo nível dos outros mamíferos (que nascem e começam a andar logo) o processo demora todo até cerca de 9 meses após nascimento (se não mais). É aí onde entram os benefícios pois mantendo o bebé bem pertinho de nós, a ouvir o nosso coração, a nossa respiração, a nossa voz, o nosso estado emocional e a sentir o nosso calor isto vai ajudar a esse desenvolvimento emocional e físico (de uma posição ergonómica), tal e qual como se se mantivessem lá dentro. Ou seja, acabamos por recriar o processo de desenvolvimento que tínhamos dentro da nossa barriga e vamos assim prolongar até serem um bocado mais independentes. 


Sabiam que existem alguns estudos onde mostram que as crianças carregadas são emocionalmente mais estáveis, choram menos e tornam-se até mais independentes?


Em relação à ergonomia devemos ter em atenção que devido a essa imaturidade convém conseguirmos recriar essa curvatura natural da coluna e a pequena abertura das pernas (claro que quando crescem e já se sentam vão conseguir fazer quase uma espargata e como tal convém conseguirmos manter o apoio de joelho a joelho pois não creio que seja nada confortável estar num marsúpio - o que é sinónimo de não ergonómico - pendurada pelos genitais).

Portanto do que se trata mesmo afinal? Trata-se de ser uma forma de darmos ainda mais amor ao nosso bebé, de nos podermos "banhar" com o seu cheirinho, de sabermos que está em segurança, a ter soninhos muito bons (soninhos que são muito importantes para os bebés e para nós também se é que me entendem), de conseguirmos também termos nós, enquanto mães, alguma liberdade - tanto física como emocional.