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A velha discórdia do colo


O tema é antigo, a discussão também, e as opiniões continuam a dividir-se quando se fala em dar colo aos nossos rebentos. Ainda que eu já tivesse uma opinião quanto ao assunto, agora que sou mãe dou-a com conhecimento de causa.

Quantas de nós não levam com a sabedoria alheia em frases como “Ah está ao colo? Depois logo te arrependes.” ou “Passa a vida ao colo, tens de a deixar chorar, se não nunca aprende”. Agradeço muito que se preocupem comigo, a sério que sim, mas dispenso. Lamento desapontar quem me alerta mas não vou deixar a minha filha a chorar até se cansar, só porque na visão de quem está de fora, um bebé recém-nascido tem de aprender. Aprender o quê? Que pode chorar até não ter mais fôlego que os pais não o acodem?!

Aprender que tem de se sentir abandonado, porque quando crescer vai ser muito mais independente?! Cada coisa a seu tempo, não me parece que um bebé que ainda nem percebeu ser um ser distinto da mãe vá perceber que é para o seu bem não lhe dar colo, até porque na verdade, não é.

É absurdo pensar que o colo que damos a um bebé que acabou de vir ao mundo vai moldar o seu comportamento futuro, tornando-o uma criança mal educada e difícil de lidar. Eu tive colo, tive muito colo, nunca envergonhei os meus pais, nunca fui mal comportada, fui uma criança dócil, educada e feliz e continuo a sê-lo enquanto adulta!

O colo dado a um recém-nascido é uma necessidade tão importante como a de ser alimentado. Embalar e abraçar os nossos bebés mantém-nos tranquilos e seguros. E não é isso que queremos para os nossos filhos?

Não há absolutamente benefício nenhum em deixá-los chorar, em deixá-los a “aprender” a consolarem-se sozinhos. Chegará o dia em que saberão fazê-lo, e o facto de sermos nós a tratar do assunto agora, não atrasa esse comportamento no bebé.

Por isso, façam o favor de dar colo aos vossos bebés, se é essa a vossa vontade. Eu tenciono dar muito mimo à minha criaturinha, e tenciono dar-lhe colo sempre que ela precisar e eu quiser dar, às vezes só porque sim, mesmo que as minhas costas pareçam as de uma velhinha cheia de males. E enquanto escrevo este artigo, ali está ela, de olhos bem abertos a olhar para mim, sossegada, serena…mas só por isso, quando fechar o computador, vou dar-lhe um colinho!