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O momento em que passei de mãe gestora a consultora



Hoje partilho convosco uma reflexão sobre os “terríveis” doze como alguns chamam ou os “notáveis” doze, como gosto de chamar!
A minha filha L. tem 12 anos, quase a chegar aos 13 e tenho plena consciência que é uma fase que tem tanto de entusiasmante como de desafiante!
Segundo a pedagogia Waldorf, este final do segundo septénio é marcado pelo final da infância e por um conjunto de características que nos obrigam a nós pais e educadores a ajustar o nosso próprio comportamento.
A criança sente já o domínio de muitas habilidades e o corpo da criança começa a mudar. Embora as primeiras mudanças sejam quase invisíveis, a criança sente-as como um crescente alarme sobre as mudanças que estão para vir.
Nos três a cinco anos que se seguem, os jovens em desenvolvimento experimentam o mesmo crescimento rápido que é experimentado pelos bebés. Nunca mais o ser humano tem de gerir um desenvolvimento tão grande num momento tão concentrado. A criança começa a experimentar mudanças físicas e, o mais importante, mudanças no pensamento e nas reações. É difícil para a criança gerir todo este crescimento e muitas vezes sente-se traída pelos adultos que conhece. Como é difícil acreditarem que estão a mudar tanto, pensam que os adultos à sua volta mudaram e isso pode torná-las irritadas ou desconfiadas (aqui por casa a frase “tu não eras assim” tem-se repetido algumas vezes).
De repente, a criança adquire capacidade de julgamento, avaliando ideias e experiências e tornam-se arguentes brilhantes! Uma reação natural nesta idade é querem descobrir quem são e o que são separados dos seus pais e professores. Por vezes crianças sossegadas tornam-se mais impertinentes, podem tentar mentir, roubar ou enganar para ver se alguém vai notar. A necessidade de escapar dos adultos que mais os amam para descobrirem quem são individualmente, a necessidade de vínculo com colegas e amigos e a experiência de novas aventuras (boas e más) fazem parte do crescimento de uma criança saudável.
Por mais que desejemos eliminar a dor do crescimento na adolescência, isso não é possível. O mais importante é que continuem a sentir o nosso apoio, o nosso amor e o reconhecimento das suas opiniões e sentimentos. E isso não significa não definir limites, mas é também fundamental atribuir de modo crescente maior responsabilidade e autonomia, de modo a permitir o desenvolvimento do auto-conhecimento e da auto-gestão, tão essenciais para o bem-estar na sua vida de jovens e de futuros adultos.
Nesta fase de crescimento, não são só os nossos filhos que mudam. Eles obrigam-nos a mudar também. Não deixo de ser uma mãe presente, atenta. Não deixo de comunicar os limites, mas sinto que é necessário respeitar a distância saudável que esta idade exige para possibilitar um crescimento saudável. Tento adaptar-me a esta mudança: a de passar de uma mãe que sentia a necessidade de gerir a vida da filha para uma mãe consultora da sua vida. Caminho desafiante, nem sempre linear, nem sempre certo, mas com uma profunda e clara intenção.
Os nossos filhos sabem que os amamos, que têm um porto seguro, que somos os seus maiores defensores. Aprender a confiar nisso sem um reforço constante e uma intervenção exagerada pode ser um passo libertador para todos: criança e pais.