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Férias sem filhos




Eu sei que os dias são breves para vermos os nossos filhos crescer e um dia destes (talvez breve) serão eles a afastar-se de nós.

Enquanto isso não chega, não quero deixar a paixão flutuar com o passar do tempo, nem o amor dissolver com o mesmo e um dia avistá-los lá atrás, apenas, como passado. Algo, muito fácil entre casais atuais e ativos, divididos entre um dia extenuante no trabalho e em casa. Por vezes, vivemos na escassez do diálogo, da capacidade para partilhar, no tempo de olhar e acariciar o outro.

Momentos a sós, podem aproximar-nos, fazer os nossos olhos reencontrar-se e lembrar-nos que ainda somos casal, ainda sabemos estar sós e ainda resta muito do que nos uniu.

Nem todos temos possibilidades de passar férias com e sem filhos. Eles merecem estar e desfrutar connosco. Quando escrevo afastar pode ser uma caminhada de horas, um jantar ao por-do-sol, uma atividade a dois, sem interrupções.

Às vezes doí-nos a consciência de nos afastarmos, eu percebo.

Normalmente tiro uns dias sem miúdos pois tenho umas pessoas fantásticas que os acolhem como filhos. Parto descansada pois sei que ficam felizes e bem entregues. Procuro sempre fazer viagens frenéticas que seria muito difícil fazer com os miúdos, a mudar de hotel todos os dias, a viajar de moto, caminhar por percursos mais aventureiros, destinos pouco aliciantes para miúdos ou em situações de cansaço extremo, procurando locais para ficar calmos, sem muitas crianças à vista, para não ficar com remorsos.

Confesso que os três primeiros dias são de descanso e de (re)descobrir a minha relação, sabe bem! Ao final do 5º estou cheia de saudades que é um sentimento bom e mau, angústia e gera ansiedade de voltar. O regresso, talvez seja o melhor de tudo! Sentir a minha família mais forte e preparada para mais desafios.

Adoro dar beijos e abraços intensos de saudade, sabe tão bem voltar! Voltar a tudo, até às rotinas!