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Eu, mãe, me confesso



Eu, mãe, me confesso frágil, fraca e feia. Acordo com o cabelo sujo e despenteado e tomo banhos de três minutos. Se não preparasse a roupa dos meus filhos no dia anterior, não sei o que iriam vestir. Se o pequeno-almoço não fossem cereais, não sei o que comeriam.

Não tenho pão fresco em casa todos os dias e há dias em que levam bolachas para a escola. Nem sempre estão perfumados e de cara lavada, nem eu. Não vejo as cadernetas deles diariamente e já sabem que, caso haja recados ou necessidades, têm de colocar na minha secretária para eu conseguir olhar para isso.

Por vezes, tenho saudades deles… mesmo que estejam comigo. No lufa-lufa do dia a dia, parece que nem sempre conseguimos estar. E estar, simplesmente estar, é tão importante. Parar, respirar profundamente e tê-los ao colo, ou ao lado, com ou sem abraços. Ouvi-los incondicionalmente, sem me irritar com o trânsito, com as horas ou com o facto de o jantar ainda não estar feito, é tão bom.

Sou fraca. Não consigo estar sempre calma e a sorrir. Também me enervo, também faço birras e, por vezes, maiores que uma criança de dois anos. Já me conheço, ou estou cansada, ou com fome ou com frio… Preciso de miminhos também.

Será que as mães são sempre uma força da natureza que não quebra? Eu quebro e sou frágil e por vezes choro. Rio-me com eles e choro com eles. Posso é não fazer ao mesmo tempo. Posso esperar e chorar depois.

E as perguntas… onde falhei, porque falhei e porque continuo a falhar? Será que todas as mães de todos os tempos se questionavam tanto como nós? As avós pareciam ter sempre tanta segurança na educação que davam… Terem tantas certezas.

Sei que há mais mães assim por aí. E há as perfeitas!
A minha luta continua todos os dias. Há o cair, quebrar, dormir e insistir sem nunca desistir. Ser mãe não é uma questão de segundas oportunidades. É uma questão de continuar a tentar sempre. A ideia de ser a melhor mãe do mundo é essa mesmo. Nós somos as melhores mães do mundo, as melhores que os nossos filhos alguma vez terão e, para isso, só temos de persistir e estar lá e parar, respirar. Abraçar os nossos filhos agora e para sempre (salvo o interregno da adolescência).