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Não gosto de brincar com o meu filho



Pronto, está dito. Não gosto, não tenho paciência, e confesso, sinto-me mal por isso, principalmente porque ele não tem irmãos, e muitas vezes, (talvez demasiadas), brinca sozinho. Vejo a cumplicidade que ele tem com o pai, em parte devido a todas as brincadeiras que partilham, e apesar de alguma inveja desse entendimento, sei que o clube das brincadeiras não é para mim, porque a verdade é que eu não tenho jeito, gosto, ou paciência para me sentar com ele e brincar com carrinhos, legos ou mesmo jogos de tabuleiro.
E claro que me custa. Claro que me sinto mal por isso, pois acredito ser importante mostramos interesse pelas suas brincadeiras, mas se coisa não se dá naturalmente mais vale não fingir, eles percebem, e acho eu, é pior.
Ainda assim não me interpretem mal, eu adoro a companhia do meu filho, gosto de lhe ler histórias, de conversar e passear com ele. Brincar é que não.
Uma das minhas atividades favoritas, partilhada com o meu filho, é sair de casa para passear ao ar livre. Gosto de parques, jardins ou praia, gosto especialmente de o levar para locais onde ele possa brincar e correr livremente, de preferência com outras crianças. Adoro quando ele volta feliz e cansado para a minha beira, partilhamos o lanche ou um gelado e conversamos sem pressa.
Na verdade, a minha mãe também não brincava connosco, há trinta anos, os adultos mantinham uma distância maior em relação aos filhos. O modelo de educação era um bocadinho diferente, e na verdade, não me parece pior, apenas diferente. Actualmente lemos muito sobre pedagogia e estamos mais próximos dos nossos filhos a todos os níveis, e isso estende-se ao acto de brincar. Será assim tão importante a “brincadeira” ? Pois não sei.
E vocês, conseguem viajar no tempo, voltar a ser criança e brincar com os vossos filhos com gosto?