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Na teoria as mães sabem tudo, na prática não é bem assim



Todos os dias penso em temas minimamente interessantes para partilhar com as mamãs que me seguem aqui neste cantinho, mas a verdade é que eu própria não sei tudo e por vezes receio passar a imagem de que sou a mãe perfeita, com os filhos por sinal perfeitos e o trabalho e a relação amorosa obviamente também perfeitos. ´

A verdade é que na teoria é tudo bonito e se eu sei como se faz, vocês também o sabem. Mas é na prática, no dia a dia, nos imprevistos que somos de facto postas à prova. Custa não saber como lidar com uma birra, custa saber que o nosso bebé deve dormir no berço, mas acabamos por tê-lo a dormir na nossa cama porque estávamos demasiado cansadas para insistir na ideia do berço, custa quando não conseguimos fazer o jantar a tempo ou quando temos de improvisar uns ovos mexidos com uma massa e uns legumes porque nos esquecemos de passar no supermercado, mas custa ainda mais quando nos ligam do colégio a dizer que os nossos príncipes estão doentes, mas nós não podemos sair do trabalho e acabamos a pedir à avó, ao pai ou à tia para os irem buscar. Porra, devíamos ser nós a ir buscá-los, a dar-lhe o ben-u-ron, a dar-lhes os mimos e a aconchegá-los no nosso colo. Não devia ser o colo da avó ou da tia, devia ser o nosso.

E é nesses momentos, em que nos questionamos se estamos a fazer tudo bem, se de facto estamos a ser boas mães ou só mães na teoria porque na prática nunca estamos lá, ou estamos mas passamos o jantar entre uma garfada e uma espreitadela naquele e-mail importante ou naquele telefonema que temos mesmo de fazer hoje e não amanhã.

Na teoria sabemos tudo, às vezes até demais. E depois há bloggers e capas de revista e até aquela vizinha do 4ºB que fazem tudo tão bem que até irrita. Como é que conseguem? E ainda sorriem, vestem o S e os miúdos nunca têm nódoas na roupa (e muito menos elas)... Será que nunca se sentem à beira do abismo ou só da depressão? Será que nunca gritam ou nunca têm vontade de fugir de casa para beber um cocktail com muito álcool e voltar só passado 1H?

Perfeição! É isso que se exige às mães, mas também aos pais, aos avós, aos primos, aos amigos... enfim, a todos e mais algum. Até ao gato, ao cão e ao piriquito. Mas na verdade não somos máquinas e nunca conseguiremos ser aquela vizinha do 4º B ou aquela blogger que saiu na capa de uma revista feminina porque na verdade nem elas são só isso. São muito mais, são mães, filhas, amigas, têm stresses (como todos) e momentos em que não usam maquilhagem, em que têm olheiras e insónias, em que também não saem de casa porque estão simplesmente tristes...

Costumo pautar a minha vida pelo intermédio. Não quero ser capa de revista, não quero ganhar o prémio de melhor mãe do bairro, não quero que a senhora da fila da frente do supermercado me diga que os meus filhos são perfeitos - por mais que isso possa soar bem -, só quero sentir-me bem comigo e com as minhas escolhas e sentir que sou a melhor mãe possível, aquela que dá o máximo para que a vida dos meus príncipes tenha muitos sorrisos e para que a minha seja um reflexo desses mesmos sorrisos.
A felicidade pode ser bem mais simples do que sonhamos ou do que ambicionamos.

Artigo originalmente publicado em www.marcasavant-garde.blogspot.pt