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Ginástica

Cada vez que recebo do meu marido um daqueles convites via e-mail já sei que lá vem ginástica familiar. O nosso dia a dia é sempre aquela correria normal de que todos nos queixamos, ainda para mais tendo eu um emprego que me obriga a estar fora de casa uma média de 17/18 dias por mês. Vivemos num caos organizado porque o meu marido tem um emprego "normal" que permite alguma estabilidade de horários e rotinas. Mas de vez em quando lá vem o invite. Uma reunião no Porto marcada em cima da hora, uma viagem de 3 dias à Alemanha que só foi agendada 15 dias antes, uma daquelas feiras anuais imperdíveis algures pelo mundo... e pronto lá começa o martírio da logística familiar.  Com 2 filhas pequenas mas em que 1 delas já está em idade escolar e sem ajudas familiares perto de casa, temos a sorte de ter disponibilidade financeira que nos permite ter a ajuda de uma baby sitter que colmata as nossas ausências. Não é a situação ideal, tentamos que seja sempre a última opção e que 1 dos pais esteja sempre presente mas... é a vida! É a nossa vida e por mais que queiramos romantizar, no final do mês as contas têm que ser pagas e temos de ter a consciência que damos sempre o nosso melhor, ou que pelo menos tentamos. Penso muitas vezes nos casais que, além de não terem ajudas familiares, também não têm uma situação financeira que lhes permita pagar essa mesma ajuda. Aqui deixo a minha singela homenagem a esses pais, que apesar de terem certamente vidas duras, complicadas, nunca deixam de estar lá para os filhos. São esses pais com a flexibilidade de verdadeiros contorcionistas que merecem o meu respeito e admiração. Porque por mais que precisemos de tempo para nós, que nos dediquemos ao trabalho, que tentemos ter uma vida social activa, no fim do dia o que interessa mesmo é o bem estar dos nossos pequenos e é por eles que nos tornamos ginastas.