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A Glória de perder




Férias catitas, são férias cheias de jogos de tabuleiro em família.
O pequeno catita perdeu o seu primeiro Jogo da Glória e ficou, conscientemente, a deitar fumo pelas orelhas. “- Querido, perder não faz mal. O importante é jogar e divertirmo-nos juntos, não é? – Então se não faz mal, perdes tu sempre, ok?” Por volta dos 4 anos começam a competir com tudo. “Eu vou acabar de comer primeiro!”, “Eu sou o mais rápido”, “Eu já fiz 5 anos e tu não!” , “O meu pai é maior do que o teu!”. Apesar de não compreenderem totalmente a noção de “ganhar” percebem que gostam de ganhar e, querem ganhar a TUDO. Se a criança tiver uma personalidade forte então, é TUDO x TUDO + um bocadinho de TUDO.

O pequeno catita tem sorte ao jogo, pelo menos tive de esperar uns 15 Jogos da Glória até ele perder um! Queria trabalhar a noção de “perder” com ele, mas acabei por trabalhar intensamente a minha. Em cada jogo, independentemente do resultado, fui reconhecendo o processo, o esforço de cada um e não apenas quem tinha sido o vencedor. Mesmo quando eu perdia (o que acontecia com alguma frequência) mostrava-lhe como me tinha divertido e como aquela ou a outra jogada tinham sido mesmo emocionantes. Paralelamente, fiz jogos em que ele jogava contra ele mesmo. Tentou chegar cada vez mais rápido até à árvore do fundo da casa, experimentou calçar os sapatos antes de tocar o despertador, e outros mini desafios catitas. Foi assim que, aos poucos, percebeu que o importante é dar o nosso melhor e que se treinarmos com dedicação conseguimos sempre ir um pouco mais longe.

Percebeu pela experiência e não porque lhe disse que era assim. Também fizemos alguns jogos em equipa em que todos nos unimos para chegar a um objectivo comum. O resultado depende da participação de todos e, a alegria final é de todos também. Foi uma forma de desmistificar o resultado e valorizar o processo. “Perdi, mãe. Não foi? Vamos jogar outra vez?” Desta vez não deitou tanto fumo pelas orelhas. Ufa! Bem devagarinho o pequeno catita vai percebendo que perder não é o fim do mundo mas uma oportunidade para começar tudo de novo. Vai dar-lhe jeito pela vida fora.