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Tu, não estás sozinha!



Acredito que desde que foste mãe passaste a valorizar muito mais uma boa noite de sono.

Até porque, nos primeiros anos, não as temos assim tanto, por isso ganham valor. Dás conta que te apetece dormir em qualquer lado.

Foi o que aconteceu com esta mãe. Entrei no consultório em cima da hora para a minha consulta. Quando falei com a recepcionista ela tranquilizou-me dizendo 'Ainda tem esta gente toda à sua frente.'

Olhei para a sala de espera e ‘bati’ o olho numa senhora. Esta senhora dormia profundamente, sentada numa cadeira, sem apoio dos lados ou na cabeça. Ela dormia sobre o seu próprio ombro como se fosse a posição mais confortável do mundo. Com a boca semi-aberta ressonava ligeiramente, as suas mãos pousavam no colo em cima de um livro.

'Bom, pensei. - deve estar exausta.' E fui sentar-me no único lugar vago da sala mesmo ao lado desta senhora. Fiquei curiosa com o livro que ela estaria a ler. Poderia ser uma grande seca e deu-lhe sono. Ri-me por dentro. Enfim, quando se está num consultório à espera temos que manter os pensamentos animados.

Contorci-me um pouco para ver se conseguia ler a lombada do livro e... touché! Identifiquei imediatamente o título:

Soluções para uma noite sem choro para bebés, da autora Elizabeth Pantley.

Automaticamente nasceu em mim uma compaixão gigante por esta mulher. Como eu a compreendia.

Conheces o livro?

Eu li-o de fio a pavio após o nascimento da minha primeira filha e voltei a reler quando nasceu a minha segunda filha. Li-o exausta, desesperada por conseguir dormir. Sentia-me sem recursos e, em alguns momentos, sem vontade para nada.

A exaustão e o cansaço das mães é um assunto muito sério e pouco valorizado. As mães precisam de descansar, precisam de ajuda, precisam de cuidar das suas necessidades, precisam de dormir.

Conhecer os ciclos de sono da minha bebé foi muito revelador mas ganhar a consciência que tinha que agir mais sobre mim do que sobre ela, foi determinante.

Voltar à minha prática de yoga (nem que fossem 5 minutos naquele dia), lembrar-me de parar a corrida da mente e respirar conscientemente, recordar-me vezes sem fim que 'também esta fase irá passar, aproveitar para brincar com a minha bebé, passear e praticar Babyoga, foram alguns dos pequenos passos que dei para manter a minha sanidade emocional.

Por vezes, tudo o que uma mãe precisa é de respirar, é de se sentir acompanhada e compreendida.

Relembro-te: Tu não estás sozinha!