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Ser mãe de três


Perguntam-me muitas vezes como é ser mãe de 3!
A minha primeira resposta é um sorriso. E depois costumo dizer que acho que é mais fácil passar de dois para três, do que de um para dois filhos.
Quando só tinha um filho, o mundo rodava à volta dele. Era o meu pequeno principe!
Como éramos 2 crescidos, havia sempre um que podia descansar ou ausentar-se, que o outro ficava com o nosso filho. Dava trabalho e também dava muitas alegrias.
Quando engravidei da minha filha, muita gente me dizia: “Que bom, uma menina! Assim ficas com um casalinho! Já ficas despachada!” Despachada do quê? Só posso ter um casalinho?
Ainda ia na segunda gravidez e já pensava na terceira...
Passar de um filho para dois (um casalinho...!) foi duro. Foram muitas noites sem dormir (a dobrar, entenda-se...), muitas horas em que se não estava com a mais pequena, estava com o maior. Esqueci-me muitas vezes de que também era gente e que precisava de cuidar de mim e da minha relação.
Quem acredita que os filhos vêm fortalecer uma relação? No meu caso, foi mesmo ao contrário. Ao fim de 1 ano e pouco com dois filhos, tive que me questionar: Quem sou eu afinal? O que quero para mim? Quero ser mãe solteira? Ou quero investir nesta relação e ter uma família tradicional?
Decidi e decidimos investir! Passei a cuidar mais de mim e de nós enquanto casal.
Correu tão bem que decidimos que nos íamos aventurar ao terceiro. Muita gente nos dizia que os terceiros já nascem criados e que os irmãos tomam conta deles... Outros perguntavam se conhecia o síndrome do filho do meio...
Questionei-me várias vezes se estaria a fazer o correto, se não estaria novamente a roubar tempo ao mais velho e à mais nova.
Até que alguém me disse: Que melhor presente lhes podes dar do que um irmão?
Sou filha única e sei bem quanto gostaria de ter um(a) irmã(o).
E a verdade é que ao terceiro é tudo mais descomplicado, parece haver tempo para tudo e para todos. Os mais velhos aceitam bem e até ajudam.
Costumamos brincar sobre estarmos a assegurar a nossa velhice...
A verdade é que sou uma mãe muito orgulhosa de mim, dos meus três filhos e do pai deles.
Ser mãe de três é um desafio como é um desafio ser mãe de um ou de dois. Cada criança é uma criança e cada um com as suas características, as suas necessidades, as suas emoções, os seus desejos e o seu comportamento.
Há dias em que um precisa mais de atenção do que os outros e outros dias em que todos precisam de atenção.
Há dias em que brincamos todos juntos e outros dias em que brincam sozinhos.
É exigente quando o tempo e o colo parecem curtos para partilhar por todos. É exigente quando cada um de nós tem um interesse ou uma necessidade diferente e todos queremos ouvidos.

Como fazemos para descomplicar? Cada um de nós faz o melhor que pode, ajuda e partilha. Em nossa casa, procuramos respeitar e ser respeitados, responsabilizar e ser responsáveis, na medida das nossas capacidades. Procuramos ser autênticos.
Aceitamos que temos imperfeições e que alguns dias são difíceis e outros muito melhores.

E agora sei que tomámos a decisão acertada.
Somos 5 e com muito gosto.