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O lado lunar dos pais



Ops…vamos falar de um tema tabu…sim eu própria que sou mãe sei que é um tema que não gosto de falar nem abordar com outros papás porque acho sempre que fica no ar a ideia que queremos passar a nossa experiência como a mais acertada quando falamos na relação de pais/crianças.
Ora pois bem, não há perfeccionismo em nada, muito menos na maneira de criar uma criatura que precisa tanto de amor como de regras para crescer. Sim são nossos filhos, as pessoas mais importantes da nossa vida, os nossos tesouros, os nossos príncipes e princesas, mas a verdade é que tanta doçura também traz enjoos fortes aos quais chamamos má educação, birras, mau comportamento. Sabemos lidar com isso? Não! E o outro pai ou mãe sabem lidar com isso? Não! E em conjunto conseguem lidar com as situações? A resposta politicamente correta deveria ser sim, mas é às vezes é Não. Em conjunto e por algumas vezes os pais entram em conflito de educação. É tudo muito bonito quando corre tudo bem, quando eles são simpáticos, e são educados e são “vontadeiros” e aceitam tudo como um acordo, mas a verdade é que na maior parte das vezes e enquanto são crianças é com o oposto que nós devemos contar e ter a relação assente em bons alicerces, caso contrário “vira-se o bico contra o prego”.
Imaginem uma criança que já conhece os “fracos” do pai e da mãe. Imaginem agora este pai e esta mãe a tentarem educar…pois, não combina e não vai correr bem. Acima de tudo deve imperar o bom senso entre os adultos. Acima de tudo deve haver consonância entre os dois para que as coisas cheguem a bom porto. Sem exageros, sem dramatismos, sem grandes ideologias. Não há educações perfeitas, não haverá nunca por muito que nos esforcemos. E esqueçam lá isso de ser pais modernos que não dão uma palmada, que não põem de castigo, que a conversa serve sempre grandes propósitos. Lamento desiludir. Não há ninguém que ame mais o meu filho do que eu própria e eu própria já lhe dei uma palmada, já pus de castigo e já fiquei triste com ele. Agora lidamos todos mais com a palavra “consequência”. Estamos nesse caminho. Estamos a lidar com crianças, eu sei, temos de dar os devidos descontos, também o sei, de nada servem os gritos altos, os castigos exagerados, e as palmadas repetidas. Mas há caminhos que não têm regresso e lamento se eu acho que no limite somos “obrigados” a lidar com eles duma forma mais “atribulada” e menos brincalhona, num tom mais grave do que nos sons dos bonecos animados. O meu sentido de educação vai muito mais além do que as palmadas exageradas.
Se vivermos apenas na consequência das nossas ameaças, creio que eles poderão tomar as rédeas da coisa e tomar conta de nós, pais que devemos zelar para que não haja um ponto de saturação.
Queridos papás e mamãs não vos posso dar conselhos, sou uma mãe igual a tantas outras, cometo os mesmos erros, e também em algum momento destes já 5 anos por aqui, perdemos um bocadinho o controlo da situação. Apenas vos posso dizer que nada se resolve melhor do que com diálogo. Nada se resolve melhor se não formos frontais com a pessoa que está ao nosso lado e com certeza tem os mesmos receios, os mesmos problemas e a mesma exaustão. Tudo se resolve melhor se soubermos ser coerentes e menos egoístas. E tudo se resolverá melhor quando resolverem os vossos conflitos interiores enquanto pais. Não tentem ser perfeitos, ou perto disso…sejam apenas vocês mesmos. Se dermos o nosso melhor em prol da educação e criação deles saberemos sempre que estamos no bom caminho. Ahhh e não se esqueçam…aquelas fotos fofinhas nas redes sociais, onde nos parece que os outros têm sempre a família perfeita…desenganem-se…é apenas um momento, momentos esses que todos conseguimos ter…nas redes sociais só registamos aquilo que queremos. Pensem nisso e não se deixem intimidar. Um conselho giro (agora sim) tirem também vocês a foto perfeita…coloquem-na no frigorifico, na mesa de cabeceira, na entrada de casa…olhando para esses momentos, aí sim terão mais forças para saber que tentando tudo corre sempre melhor.