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Aqui Criam-se Pessoas



Com o Francisco, nasci Mãe.


E este “nascer” tem toda uma dimensão até então completamente desconhecida para mim. Estes têm sido anos tão únicos. Tão rápidos e tão lentos, tão dedicados e tão absorventes.

Tenho para mim que as hormonas que se alteram na gravidez trazem com elas uma outra função que se prende com a revelação de uma caraterística genética que temos connosco, mas desconhecemos até então.

Eu não sonhei ser mãe desde pequenina como tantas amigas minhas. Cheguei a equacionar não ser mesmo mãe, sem angústia, sem aperto no peito. Tinha tantas outras coisas para fazer... Agora ao pensar nisso o sorriso é inevitável.

No ano anterior ao nascimento do Francisco e ao meu como mãe, trabalhei imenso, viajei muitíssimo (estava agora a tentar saber por onde andei nesse ano e parei ao oitavo país, com a certeza de que me faltam alguns), apresentei algumas das minhas pesquisas e investigações noutros países, em outras línguas. Mas nunca, em nenhuma destas ou outras tarefas que realizei, me senti tão desafiada como nestes últimos anos com as minhas tarefas de mãe. Não porque seja extraordinariamente difícil fazer as rotinas dos bebés, não pelo imenso cansaço e privação de sono, que são sem dúvida difíceis, mas porque nesta tarefa não se escrevem artigos ou se fazem comunicações, aqui criam-se pessoas.

E esta é a função mais fascinante que encontrei até hoje. Assustadoramente fascinante.