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“Querem melhorar o rendimento escolar? Estiquem os recreios!”



A frase não é minha, mas sim de um psicólogo que tanto aprecio e a quem recorro muitas vezes através da literatura. No entanto sou grande defensora desta máxima. Todo o desenvolvimento das crianças acontece por etapas, mas nenhuma delas é estanque, nada sucede no dia em que a criança completa mais um aniversário. E em relação à questão da carga horária das escolas do 1º ciclo, assim como à carga de trabalhos de casa, partilho exatamente da mesma opinião. As crianças que frequentem ou não a educação pré-escolar não dão um tão elevado salto de maturidade no mês de Agosto que em Setembro estejam de tal modo “crescidos” para estarem tantas horas sentados, só com 15 minutos de recreio, que entre lanche e brincadeira não chega. Também não me parece plausível que, após uma manhã ou tarde de escola, cheguem a casa e ainda tenham uma “dose” de trabalhos para fazer.  As crianças, com 6 anos principalmente, precisam chegar ao fim do dia e ter o seu espaço, as suas brincadeiras, as suas rotinas familiares. Mas ao que muito se assiste é que levam tantos trabalhos para fazer que o tempo de brincar deixa de existir. E é assim que depois se assiste a grandes birras de final do dia em que crianças e pais estão exaustos e que em vez de estarem a partilhar um momento de harmonia estão a “stressar” com T.P.C’s. O cansaço, a frustração e o desencanto pela escola em breve começarão a surgir o que é lamentável! E com isto não quero dizer que sou redondamente contra os trabalhos de casa, acho, efetivamente, que a escola e a família devem trabalhar em estreita relação, e o facto de a criança trazer trabalhos de casa acaba por ser uma forma dos pais irem estando a par do que estão a aprender e a trabalhar na escola. Agora que seja pontualmente, com conta peso e medida! Contudo muitas das crianças que acompanho no pré-escolar, ao chegarem ao 1º ano trazem trabalhos de casa diariamente e inclusive até algumas fichas que não terminaram na aula. Desta forma sou redondamente contra…em casa o que é de casa, na escola o que é da escola!!! Não se deve sobrecarregar demais as crianças principalmente neste seu primeiro contacto com a escola! Sugiro sempre aos pais que não se deixem ficar e que mostrem o seu descontentamento junto dos professores quando assim é.

A escola deve ser um lugar de prazer, de harmonia, de querer aprender e não de sacrifício e de obrigação!