0

(Poder) dizer que não



Uma conversa recorrente que tenho com mães/amigas/familiares prende-se com o dizer "não" aos nossos filhos. Parece-me que cada vez mais nós, pais, nos sentimos retraídos em dizer não. Como se tal fosse um pequeno crime, um delito, um trauma do qual a nossa criança pode não recuperar. E, perante a perspectiva de (mais) um adulto potencialmente traumatizado, retraímo-nos. Lamento se decepciono alguns pais amantes desta corrente educacional, mas eu não me retraio perante o "não" às minhas pequenas. Mais, uso-o bastante. Se o uso o suficiente, não sei. Se o uso nos momentos certos, não sei. Se o devia deixar de utilizar, certamente que... não! Sou uma mãe que acredita na "teoria da frustração". E o que defende esta teoria que ainda agora inventei? Que a criança tem de ser frustrada porque a sua vida de adulto será recheada disso mesmo: frustrações. Claro está que quantas menos tivermos ao longo da nossa vida, melhor. Mas a verdade é que é o normal e sim é saudável. A frustração deve servir precisamente para nos melhorar, para nos fazer querer mais e melhor e para perseguirmos os nossos objetivos cada vez com mais afinco. Não quero com isto dizer que os nossos pequenos têm de ser uns infelizes sempre condicionados por pais castradores. Nada disso. Devem sim aprender o valor do "não", devem saber distinguir entre o que é ou não permitido, o que é ou não aceitável perante os outros, perante a sociedade em que estão inseridos. Devem perceber que podem correr num supermercado, podem até fazer uma grande birra e ficar deitados meia hora no chão, mas que estes atos têm consequências quando o adulto que os acompanha lhes diz que não o podem fazer. Isto leva-nos para outra questão, a de que devemos ser consequentes. É muito desgastante ser consequente e consistente com os nossos filhos. Que levante a mão a mãe que nunca encolheu os ombros e desistiu de castigar os miúdos no final de um dia cansativo, com a casa virada do avesso, os miúdos aos gritos e o jantar, banhos e afins por fazer. Mas a realidade é que, lá no fundo, sabemos que não está certo, sabemos que essas cedências que todos acabamos por fazer vão acabar por prejudicar os nossos filhos que vão ter cada vez mais dificuldade em respeitar uma resposta negativa. Podemos e devemos dizer "não". Acredito que ao fazê-lo estamos a criar futuros adultos mais equilibrados e sim, felizes!