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O prolactinoma


Por vezes nem sempre as coisas correm como nós queremos! Idealizamos algo, fazemos planos mas a vida dá voltas e voltas e aquilo que às vezes damos por garantido acaba por não acontecer. Cresci, estudei, comecei a trabalhar, apaixonei-me, comprei uma casa com esse amor da minha vida, casámos, comecei uma carreira profissional e decidi finalmente que o tempo para abraçar a maternidade tinha chegado.
Só que o que queria não foi o que aconteceu e aos 28 anos depois de várias consultas, análises e uma ressonância magnética à hipófise foi-me diagnosticado um prolactinoma, o que me impossibilitava de ter filhos.
O prolactinoma é um tumor BENIGNO da hipófise causado pelo excesso de prolactina. A prolactina é a hormona que tem como principal função estimular a produção do leite materno e é por isso que normalmente as mulheres não engravidam enquanto estão a amamentar.
Apesar de ser mais comum em mulheres de idade fértil o prolactinoma também pode aparecer nos homens sendo a grande diferença o facto de nas mulheres o tumor desaparecer depois da menopausa enquanto que os homens vão ter que o controlar para o resto da vida.
Os sintomas são vários e depende de pessoa para pessoa, no meu caso, apesar de sempre ter sofrido fortes enxaquecas sentia umas dores diferentes, não sei bem explicar quão diferentes eram, tinha algum desconforto num olho, muitas vezes dava por mim a semicerrar o olho direito, algum “peso” no peito e a amenorreia (ausência de menstruação). Também pode haver perda de desejo sexual e disfunção eréctil no caso dos homens.
O tratamento é feito através de medicamentos e em caso muito raros através de uma cirurgia para ressecar o tumor. Cirurgia essa realizada através da cavidade nasal. Com o avanço da medicina as cirurgias têm sido quase nulas sendo o tratamento medicamentoso suficiente. Não vou dizer qual era o medicamento para não promover a automedicação. Cada caso é um caso e não há ninguém melhor que um endocrinologista para estudar a situação em específico. No meu caso ainda demorei um ano a engravidar depois do tumor já ter diminuído o suficiente para estar “apta” para tal.
Aconselho-vos a procurar ajuda quando desconfiarem que alguma coisa não está bem. Ninguém conhece o vosso corpo melhor do que vocês próprios e o corpo dá sinais de alarma…Oh se dá! Não deixem para depois. Não vale a pena deixar para depois. Falem com o vosso médico (particular ou de família) e se não ficarem satisfeitas com um primeiro diagnóstico, peçam uma segunda opinião médica, eu fiz isso!
A infertilidade é uma situação delicada mas a verdade é que tudo depende da maneira como a enfrentamos. Há que manter o espírito positivo, continuar a ir jantar fora, a estar com os amigos, a viajar, a fazer o que se gosta. Não serve de nada ficarmos numa bolha de tristeza e dor porque todas engravidam menos nós, aliás atrevo-me a dizer que ainda piora a situação. E acreditem em mim, há centenas de casais a passar por problemas de infertilidade, cada vez mais. É complicado, eu sei, claro que é complicado mas se sorrirmos para a vida ela sorri-nos de volta por isso há que viver, que espairecer, que ser feliz porque há outras opções. Uma mãe não precisa de dar à luz para ser mãe. Vivemos em pleno século XXI e todos sabemos muito bem disso.