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Ajuda-me a ser Mãe



Querida mãe:
Pedes-me ajuda para ser mãe. Pedes-me ajuda, porque não sabes o que fazer. Pedes-me ajuda, porque tens medo de fazer. Pedes-me ajuda, porque estás cansada. Pedes-me ajuda, porque tens medo de errar. Pedes-me ajuda, porque queres tanto fazer bem que temes fazer mal. Pedes-me ajuda, porque amas tanto que tens medo de mimar. Pedes-me ajuda, porque tens medo de ser criticada. Pedes-me ajuda, porque tens medo de ser julgada. Pedes-me ajuda, porque tens medo de ser avaliada. Pedes-me ajuda, porque tens medo de mostrar que às vezes não queres mais. Pedes-me ajuda, porque não te lembras de quem és. Pedes-me ajuda, porque só precisas de dormir. Pedes-me ajuda, porque precisavas de não cumprir horários por 24 horas. Pedes-me ajuda, porque na escola dos teus filhos te exigem que faças alguma coisa, mais e melhor. Pedes-me ajuda, porque só te apetece gritar. Pedes-me ajuda, porque só te apetece chorar. Pedes-me ajuda, porque achas que tens de saber o que fazer. Pedes-me ajuda, porque sentes que devias aguentar. Pedes-me ajuda, porque te odeias por não saber o que fazer. Pedes-me ajuda, porque te sentes só. Pedes-me ajuda, porque te sentes incompreendida. Pedes-me ajuda, porque sim. Pedes-me ajuda, porque dizem que estás a precisar de ajuda. Pedes-me ajuda, porque acreditas quando te fazem acreditar que precisas mesmo de ajuda.
E a melhor ajuda que te posso dar, Querida mãe, é dizendo-te que não precisas de ajuda para ser mãe.
Precisas, isso sim, é de voltar a acreditar. Voltar a confiar nas tuas capacidades. Voltar a sentir que sabes ser mãe. Voltar a descobrir o caminho que sonhaste seguir, antes de seres mãe e antes de lidares com as birras, os gritos, o desassossego de um filho, que desassossega a tua alma de mãe.
Precisas, isso sim, é de silenciares o barulho do teu medo e ensurdecer com o bater do teu coração.
Precisas de dormir uma noite inteira. Precisas de não fazer jantar. Precisas de não arrumar. Precisas de não pensar em recados. Precisas que não te exijam que sejas perfeita. Precisas de largar a culpa. Precisas de assumir que às vezes não sabes mesmo o que fazer e que isso não faz de ti imperfeita nem te põe na lista prioritária de quem precisa de ajuda para ser mãe.
Precisas que te oiçam. Precisas que não te avaliem. Precisas que não te julguem. Precisas de colo. Precisas de sentir empatia. Precisas de conforto.
E depois de tudo isto, quando já tiveres dormido, quando já tiveres voltado a sentir saudades dos teus filhos e das tarefas de casa e quando voltares a sentir que és capaz, precisas que te ajude a pensar. Pensar como vais fazer. Como podes fazer. Como tu queres fazer. Precisas de te voltar a ouvir. Precisas que te ajude a voltar a ter voz, sem abafar a tua voz com a minha voz. E precisas sentir que pode fazer sentido o que pensas, o que achas.
Precisas que te faça sentir que a mãe que tu és basta. Basta para ti. Basta para os teus filhos. Basta para o mundo que te rodeia, no qual vives e do qual respiras.
Precisas de voltar a ser mãe, com a certeza de que sabes ser mãe e com a força de que só tu sabes que mãe queres ser para os teus filhos.
E esta, Querida mãe, é a ajuda que te quero e posso dar. Porque acredito que esta é mesmo a ajuda que precisas. E depois de tudo isto, podes dar-me uma ajuda a mim também?