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A dor de perder um filho e como ultrapassá-la


“Não tem batimentos, este bebé está morto”. Foi assim que Marta recebeu de forma grotesca a pior notícia da sua vida.
Estava de 40 semanas, uma gravidez tranquila, bem vigiada e uma bebé há muito aguardada na família. Aconteceu, acontece com muita frequência, mas é tão cruel e injusto que custa a aceitar.
Um bebé de termo que sofreu de anoxia aguda dentro da barriga da mãe. Trata-se de uma diminuição gradual da oxigenação fetal resultante de vários fatores alheios ao controlo da grávida.
A espera de um filho é dos momentos mais incríveis na vida de um casal e não deveria ter um final tão triste e dilacerante como este. 
Como se ultrapassa a dor referente à perda de um filho? “A dor não se ultrapassa, fica bem guardadinha dentro do peito. Lentamente começamos a aprender a lidar com ela, a minimizar a nossa angústia e a receber o que o destino nos reservou”. Em todo o processo de luto é fundamental aceitar ajuda psicológica de profissionais, o apoio familiar e o conforto dos amigos. Leva meses a sair desta bolha de indignação e culpabilização pessoal, mas lentamente conseguimos ultrapassá-la.
A Marta é uma amiga de longa data que sofreu na primeira pessoa a perda de um filho que nunca chegou a conhecer. Um nado- morto como simplificam os serviços nacionais.
Marta é mãe como todas nós e aceitou partilhar a sua história para servir de conforto a tantas outras mães que perdem bebés.
“Não é fácil, todos os dias é uma conquista e os nossos pequenos anjos certamente não nos queriam ver baixar os braços. Nada acontece por acaso e apesar de estamos amputadas para o resto da vida, serão sempre lembrados com todo o amor e carinho.”


Um beijinho querida Marta e obrigada por nos fazeres lembrar que nem sempre há finais felizes mas com garra e determinação, NÓS MÃES, conseguimos ultrapassar todas as barreiras que surgem ao longo da vida.