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1+1=3



Desde que a Alice nasceu, tem sido difícil viver a dois. Ela exige muito a nossa atenção e os nossos dias são desenhados em função das rotinas dela, das necessidades dela, dos cuidados dela. E à noite só queremos cair para o lado e dormir como se não houvesse amanhã. Não há séries ou filmes que nos salvem os serões!

Quando um bebé nasce (e durante os primeiros anos), onde fica a relação a dois? E as viagens que ficaram por fazer? E o sexo, onde fica? Tudo muda. Se para alguns pais é fácil continuar a fazer tudo como antes, acredito que para outros seja mais dificil.
Confesso que pensei que fosse mais fácil. O meu lado romântico dizia-me que íamos conseguir arranjar tempo para sair a dois, jantar fora, quem sabe beber um copo com os amigos. Perfeito! Mas não. Até poderiamos deixá-la com algum dos nossos familiares mais próximos, com uma das tias ou com os avós, mas ainda não estamos preparados para a deixar. Somos pais-galinha! Ainda somos completamente dependentes daquele sorriso, daquela vozinha pequenina, do cheirinho dela!

Mas depois morremos de saudades um do outro. Saudades dos nossos momentos, de ficar colados um ao outro no sofá depois do trabalho e adormecer assim sem pensar em mais nada; saudades das parvoíces, de sair para beber um copo sem ter hora para voltar; saudades dos concertos e dos festivais de verão; saudades de jantar juntos e conversar sobre os nossos dias e rir à parva; saudades das nossas idas ao cinema só para comer pipocas!

Por outro lado, nunca fomos tão felizes como agora e nunca nos sentimos tão próximos um do outro. E quando estamos sozinhos, nem que seja por breves instantes, voltamos a ser nós. Damos um abraço forte e volta tudo outra vez. E sentimos-nos felizes e espantados por ela ser tão linda e perfeita.

Artigo adaptado de https://embicosdepesblog.wordpress.com