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O poder das palavras



O nosso filho é a nossa primeira e única experiência como pais, e acredito que isso nos influencie na forma como o educamos, por vezes inconscientemente, sem pensar nas consequências que alguns gestos ou palavras possam vir a ter no futuro.
Carinhosamente e sempre sem ser de forma negativa, usamos em casa algumas palavras como xoné e totó, que nos servem as brincadeiras de família.

O nosso filho tem 3 anos e claro que não tem o discernimento de perceber que apesar destas palavras não serem maldosas não as deve usar quando se dirige a uma professora por exemplo.... Acabou por fazê-lo e foi chamado à atenção. Ficou baralhado porque para ele estas palavras não são feias, são sinonimo de brincadeira. Na realidade também nós ficámos um pouco baralhados na forma como iríamos explicar a contenção destas palavras daí em diante.
Uns dias depois descobrimos que o ensinámos a roubar!
Desde sempre que o Vicente tem um mealheiro onde adora por moedas. Notas não lhe servem. Só moedas! O pai chega a casa, despeja os bolsos de chaves de casa, da mota, carteira e moedas soltas que deixa em cima da mesa e que o Vicente adora recolher para o seu mealheiro. Depois o pai brinca com ele perguntando quem lhe roubou as moedas e ele ficar super feliz a correr à frente do pai em direção ao mealheiro para lhe mostrar como está cada vez mais pesado! Noutros dias pega nas moedas sorrateiramente e diz que as vai roubar ao pai e guardar no mealheiro às escondidas e depois de o fazer vai muito feliz a correr contar ao pai do seu feito.
Numa manhã sem vontade de ir para a escola questiona-me porque não fico com ele todo o dia em casa e após a minha explicação de que a mamã tem que ir trabalhar para ganhar dinheirinho ele responde tranquilamente “não é preciso mamã, eu vou roubar!”.
Ao mesmo tempo que achei graça à inocência e falta de maldade, percebi como a frase era feia e soava tao mal! Mais uma palavra para abolir das nossas brincadeiras. Mais uma que usávamos sem antever que um dia podia ser empregue de forma menos correta!

Ser mãe ou pai realmente é um desafio diário mesmo em pormenores simples como as escolhas das palavras que usamos no nosso dia a dia.