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O momento em que me mentalizei que não ia ser mãe


Quando hoje olho para trás e penso na Patrícia de há 10/15 anos, acho que ela se ia rir se ouvisse alguém dizer que ia casar e ter dois filhos e logo de seguida... Entre viagens, trabalho até tarde e relações que eram tudo menos aquilo que eu realmente queria, sobrava pouco tempo para filhos e nem sequer para planos que os incluíssem. A minha rotina não permitia e a minha cabeça habituou-se a ideia, mentalizou-se de que o mais provável era não ser mãe ou se calhar adotar uma criança daí a uns bons anos. 

Se me perguntarem se queria ser mãe, a verdade é que queria, mas não encontrava o tal "Mr. Right" para ser o pai. Acho que nunca fiquei desesperada com a ideia de não ser mãe, nunca exceto no dia em que me disseram que se calhar não podia ser mãe. Sim, isto de optarmos por não sermos mães é uma coisa, mas quando nos dizem que não dá é bem diferente, porque deixa de ser uma opção e passa a ser uma condição, uma obrigação. Felizmente no dia em que ouvi essas palavras de um ginecologista já estava com o pai dos meus filhos, mas ele só lá estava há um mês. Como se diz ao nosso recém namorado que podemos não conseguir dar-lhe um filho ou se conseguirmos tem de ser para ontem?!

Segundo esse grande "médico", os teratomas que tinha nos dois ovários tinham de ser retirados e o mais provável era terem de me tirar os ovários também... isto aos 28 anos. Para ele a melhor solução era engravidar logo, tipo assim que saísse da consulta. Rezar para que a coisa acontecesse e no parto eles tratavam logo de tirar tudo o que houvesse para tirar.

Lembro-me que sai do consultório com mais vontade de chorar do que de ir a correr engravidar. Depois do choque, decidimos procurar uma segunda opinião. Tive a sorte de ser reencaminhada para a MAC e a médica - bem mais sensata e entendida no assunto - recomendou a cirurgia para tirar os teratomas e só depois tentar engravidar. Não vamos ser ingénuos, óbvio que havia menos hipóteses de engravidar depois porque à partida os ovários ficariam com menor dimensão... mas a prioridade era tratar-me e depois pensar em filhos. Nem quero imaginar o que o meu atual marido deve ter pensado na altura, mas deve ter sido algo do género: 1 mês de namoro e tantos problemas
Felizmente depois da cirurgia consegui engravidar assim que parei a pílula. Não há segredos para engravidar mais ou menos rápido, mas acredito que a serenidade e o pensamento positivo são meio caminho para que aconteça.