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Crianças felizes ou Cronómetros?


Oiço constantemente à minha volta: falta-me tempo.  E isto ecoa-me .
Tento esticar as 24 horas mas o elástico não resiste se o puxão for forte. Desde pequena que sinto a ansiedade do tempo a gerir-me a vida. Incutem-nos responsabilidades mal aprendemos a falar, é hora do banho, despacha-te temos que jantar, olha que se te demoras a vestir já não vamos ao parque.
Vamos crescendo e a perda de autonomia sobre o relógio torna-se maior. Os ponteiros correm entre escola, actividades e estudo. Questiono aqui onde fica o tempo para sermos felizes?
Desde o dia 11 de Junho de 2013 que pedi ao tempo uma trégua, que lhe pedi tempo para desacelerar e quase que lhe imploro que pare de correr e me deixe saborear cada segundo da sua evolução.
Comecei por contar os escassos 5 meses que tive para beneficiar dele a 100% só para mim, de lhe descobrir cada sorriso, e de repente já estava a gerir as horas a que ia conseguir sair do trabalho para ir busca-lo.
E é aqui que a gestão de prioridades se revela: fazemos um jantar perfeito e saudável ou trazemos qualquer coisa do pronto a comer? Deixamos acumular roupa até ao tecto ou perdemos meia hora e o cesto fica vazio? Somos as mães perfeitas e arrumadinhas ou as que preferem viver no meio caos mas têm aquele meio tempo para os acompanhar a crescer?
Tem-se falado muito na influência da tecnologia. Estamos a criar ratinhos de laboratório que vivem o mundo isolado do ecrã ou sonhamos com calças de joelhos rasgados e sapatilhas esfoladas de tanto verem a cor do alcatrão do parque mais próximo?
Tenho várias teorias, mas a principal é que o tempo que os entregamos ao ecrã é o pouco que sobra para sermos nós, mas é nele que perdemos tanta coisa.
Ainda para além disso temos as actividades. Entre futebol, ballet, ginástica, Inglês, e mais tantas outras que só contribuem para os tornar bons em tudo, menos no mais importante que é terem tempo para absorver a vida, para brincar, para não saber o quanto o relógio condiciona a nossa felicidade.
Dou por mim a pensar numa fórmula perfeita, para o acompanhar mais, para me perder nas brincadeiras e me despreocupar de tudo o resto, para fingir durante o pouco tempo que nos sobra entre a chegada da escola e a hora de dormir que o relógio ficou sem pilha.
Por circunstâncias da vida tenho que pedir ao tempo semana sim semana não que acelere as rotações ao máximo para amenizar as saudades, mas aquilo que peço na realidade é que ele tenha tempo de crescer feliz, sem a pressão de crescer cronometrado.