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Amamentar em público (na minha perspectiva)



É um assunto muito controverso e digamos que está um pouco na “moda” falar sobre isso. É de conhecimento geral que o leite materno é efectivamente o melhor alimento que se pode dar a um bebé. Tem uma catrefada de benefícios, quer para o bebé, quer para a mãe.  Entre eles posso enumerar:
1. Promove o contacto com diversos sabores, preparando o bebé para a introdução dos novos alimentos.
2. Melhora o funcionamento intestinal do bebé.
3. Reduz o risco de obesidade infantil.
4. Protege o bebé contra infecções visto que a mãe transmite anticorpos através do leite.
5. Reduz o risco de desenvolver cancro da mama e dos ovários, osteoporose, hemorragias pós-parto e fracturas da anca.
6. Está sempre pronto, à temperatura certa e permite poupar uns bons trocos nos primeiros tempos.
No outro dia tive um debate de ideias entre casais amigos sobre a amamentação em público. Uns contra, outros a favor e decidi partilhar a minha opinião com vocês…Pois bem, eu não amamento em público.
Vivemos em pleno século XXI e cada um é livre de fazer o que bem lhe der na gana. Mas há certas coisas que eu não compreendo e tenho uma visão sobre o assunto que muitos vão achar um pouco retrógrada.
Chamem-lhe timidez, paranoia, disparate, estupidez, vergonha, o que quer que seja, eu não amamento em público. Ponto.
A Matilde sempre esteve em primeiro lugar na minha vida e talvez seja por isso e por ser uma "organizada" doentia, que “reprogramei” a minha vida em prol das suas necessidades.
Ou seja, nos primeiros dias mal saí de casa. Tentei perceber como funcionava o “relógio” da bebé, para assim tentar organizar as nossas futuras saídas.
Fomos criando uma rotina, a Matilde come rigorosamente de 3 em 3 horas durante o dia e se deixo passar um bocadinho que seja, começa um berreiro infinito. Dito isto, quando começamos a sair (e até hoje se não for hora da papa ou sopa) eu rigorosamente dou-lhe de mamar antes de sair de casa, sempre! Preparo tudo antes e a hora da mamada fica sempre por último, para assim ser efectivamente a última coisa que faço antes de sair de casa. Isso também implica que, se tiver combinado algo com alguém, eu nunca combine horas certas. Uso muito o “Chego por volta das…”.
Depois, tenho sempre 4 planos distintos: Ou os nossos passeios são de hora e meia, máximo duas, para dar tempo de voltar para casa para a próxima mamada; ou se vamos a casa de alguém, peço encarecidamente se posso ir para uma área reservada para dar de mamar; ou tiro leite com a bomba e levo-o comigo; ou se tenho que ir a algum centro comercial vou a um com sala de amamentação (Colombo, El Corte Inglés, Dolce Vita), não sei se há outros.
Oiço muitas vezes mães que dizem que a amamentação é um momento único e íntimo entre a mãe e o bebé e que por isso não deve ser um ultraje a imagem de uma mãe a dar de mamar num espaço público, e não o é de todo, para assim satisfazer uma necessidade primária do bebé.
Pois bem essa é a principal razão pela qual eu procuro sempre um espaço fechado e vazio para o momento da amamentação.
É verdade, dar de mamar é dos momentos (se não o momento) de maior ligação entre uma mãe e o seu bebé. É inexplicável o que sinto quando a Matilde começa a olhar para mim e a tocar o meu rosto enquanto lhe dou o “super alimento”, é um momento só nosso que quero e faço questão que continue a ser só nosso, aí está, íntimo.
Compreendo perfeitamente que as mães têm o direito de dar de mamar a um bebé onde quer que seja, pois é uma necessidade básica do bebé e nem todos os bebés aguentam muito tempo sem comer.  Além do mais, as mães têm todo o direito em manter uma vida social e tentar regressar à rotina diária mas, também não exageremos... eu sou mãe e não é por isso que acho que uma mulher a dar de mamar no parlamento, ou alguém sacar a maminha na caixa do supermercado para acalmar a birra do bebé, seja um ato de louvar. Levar a questão ao extremismo é que não.
E pronto, sei que acabei de abrir a caixa de pandora, mas acho importante todos expressarmos a nossa opinião, independentemente do assunto. Achei ainda mais importante partilhá-la, quando nesse debate de ideias percebi que não sou a única a pensar assim e que muitas mães têm receio de o partilhar, porque claramente este meu/nosso parecer não faz parte da maioria absoluta.
É um direito de todos nós expressar a nossa opinião, mas também é um dever de todos o de ouvir, ler, comentar sem juízos de valor, com respeito e educação mesmo que a opinião seja contrária.
Já pensaram como seria a vida se todos tivéssemos as mesmas opiniões?
Uma seca!

 “Artigo originalmente publicado em www.theoofdiary.com