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A minha carreira não é a minha prioridade


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O Rodrigo tem cinco meses. Cinco. E, até hoje houve um único dia em que esteve o dia inteiro sem mim. Corrijo, esteve comigo de três em três horas para mamar e nos intervalos mimo e só mimo da avó. Foi o dia do evento anual (da empresa) e não me passou pela cabeça faltar. E não é porque a carreira é a minha prioridade. É porque tinha (tenho) saudades. Tinha (tenho) saudades de estar rodeada de outras coisas que não desenhos animados, manicures, fraldas e fichas da escola. Tinha (tenho saudades de ouvir falar sobre resultados, projectos e estratégias. Tinha (tenho) saudades dos meus colegas. Tinha e tenho saudades de não ser só-mãe.
E isso não é colocar o que quer que seja à frente dos meus filhos… como me dizia uma chefia sempre que a Maria estava doente e com quem foi um privilégio trabalhar: tu sabes qual é a tua prioridade Vanessa.
A minha prioridade são os meus filhos e a felicidade deles. E isso também inclui ser uma mãe-mulher-esposa-profissional.
Mas a minha carreira não é a minha prioridade.
Nem agora. Nem nunca.
E, mães que me leem – reparem que disse mães e não mulheres, também não devia ser a vossa.
Faço parte do grupo de aves raras que adora o que faz e que sai sempre bem disposta quando vai a caminho do emprego. Sempre.
Se foi sempre assim? Não, já trabalhei numa área e com uma função fantástica mas que a dada altura me deixou muito desconfortável pelo ritmo e ambiente de trabalho. O que é que fiz? Quem está mal, muda-se.
Bem, voltemos. Eu gosto mesmo do que faço. Gosto do que faço, gosto da empresa onde o faço, gosto dos colegas e das outras pessoas com quem trabalho. Gosto mesmo. Quando estou a trabalhar, essa é a minha preocupação. O meu foco. Mas, lá está, trabalho porque não vivo num mundo utópico. Trabalho porque no final do mês tenho contas para pagar. Se conseguisse ter as contas pagas e pudesse passar a vida a viajar, mimar-me e mimar os meus, ler como se não houvesse amanhã,… ui!, não hesitava um segundo!
A minha carreira, de que me orgulho e a que me dedico, não é a minha prioridade. E é isto: dedicação e priorização não são incompatíveis. De todo. A minha prioridade sou eu, a minha família e, acima de tudo, os meus filhos. Agora – que estou de licença, e sempre.
Mas, relembro, a minha prioridade são os meus filhos e a felicidade deles. E isso também inclui ser uma mãe-mulher-esposa-profissional.

E agora, ainda bem que foi só um dia porque é tempo de aproveitar o registo mamã dondoca… porque o que é bom, também se acaba.


Artigo adaptado de www.eutueosmeussapatos.com