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Por um Natal com menos brinquedos e mais memórias


O Natal é o feriado mais feliz do ano, dizem os autores de vários estudos sobre o tema e eu concordo plenamente.
Adoro o Natal e tudo o que representa para a mim. Tenho memórias inesquecíveis do Natal na terra com toda a família envolvida na preparação da ceia natalícia. O meu avô ocupava-se da fogueira e ao longo do ano escolhia a dedo o maior cepo para arder na noite de consoada. Era de tal maneira pesado que só o conseguia mexer com o balde do trator. Já a minha avó tratava do forno de lenha para assar as carnes e fazia o arroz doce que decorava minuciosamente com a ponta dos dedos, uma azáfama. A minha mãe sempre foi a pasteleira de serviço e faziam-se kg de coscorões, sonhos e azevias naquela casa. Eu adorava esticar e cortar a massa e também dava uma ajuda na fritura, quando não tinha de entreter a minha irmã. O Pai Natal chegava à meia-noite e trazia alguns presentes, nada que se compare à loucura dos dias de hoje. Não me lembro de uma única prenda que tenha recebido no passado, mas as memórias familiares ninguém mas tira, ficaram gravadas no coração. Esta é a verdadeira alegria do Natal. 
Agora que sou mãe tenho a missão de tornar o Natal dos meus filhos memorável, quero que tenham histórias para contar e que associem a quadra a algo muito especial nas suas vidas. Quero que sintam a fantasia, quero que acreditem no velhinho das barbas e nos duendes que constroem brinquedos, quero que pensem que na noite de 24 há trenós pelo céu e que o pai Natal desce pela lareira e come o lanchinho que deixamos para ele. Ficaria muito feliz se recordassem a diversão que era montar a árvore com as centenas de bolas a cair por todo o lado. O quão divertido era ir ao mato apanhar o musgo para o presépio que herdamos da avó velhinha. Quero que recordem a dedicação da mãe para fazer o calendário do advento mais original da blogosfera, assim como, o quanto gostávamos de cozinhar polvo à lagareiro. São as pequeninas coisas que ficam na história de cada família.
A magia do Natal é algo que não se ensina, nasce connosco mas se tivermos alguém que nos ajude a manter a magia no ar, ela perpetua e multiplica-se de geração para geração.

Neste Natal vamos fazer coisas memoráveis?