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Festa de Natal

É verdade ou não que, todas adoramos as festas de Natal dos nossos filhos?
A oportunidade de os vermos subir ao palco para dizer um “Ai” e nós logo convictas que, temos artista!
Há quem quase se bata para ficar nas primeiras filas para aplaudir esses promissores talentos. Eu não sou dessas, faço parte da minoria inconsequente que chega à festa atrasada, mas que se desafiada, até sobe ao palco para dizer “Ai”. Tudo por amor aos filhos e à arte!
Assim foi, numa dessas festas de Natal em que fiz prova das minhas capacidades artísticas. Recordo-me da época em que do outro lado, os meus pais, olhavam-me com orgulho ou preocupação (nunca percebi) sobre a possibilidade de terem uma artista em casa.
Nostalgia à parte, voltando à fase da mãe que participava no espetáculo organizado pela associação de pais. A meio dos ensaios, um diagnóstico de cancro, quase me deteve. Pensei que não iria ter forças para sorrir, dançar e apalhaçar nessa festa de Natal.

Por outro lado, por ser tanta a certeza que iria ser o último, queria um desfecho marcado por uma pintura que os meus filhos pudessem emoldurar para sempre. Uma pintura alegre, por isso, subi ao palco e num papel dançante, apalhacei o melhor que pude. Lembro-me do cabelo postiço branco e reluzente. Na cara, um nariz vermelho como forma de apoio e divulgação do trabalho tão importante dos nossos palhacinhos no hospital (promessa para uma crónica).

O mais importante, a minha audiência, composta por um par de olhos cintilantes que me olhavam com orgulho como se eu fosse uma verdadeira artista. Assim me senti, porque o meu sorriso fingia o medo e o meu rosto a certeza, que aquele Natal iria ser o último.
Ainda bem que uma mãe também se engana e que existe um Menino Jesus que nos oferece, a nossa presença aqui, nesses momentos.

Que mais uma mãe pode querer?