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Amamentar não é fácil, mas eu consegui


Quando o meu primeiro filho nasceu a inexperiência falou mais alto e acabei por confiar em alguns maus conselhos.
Apercebi-me disso com o passar do tempo e à medida em que ia lendo mais sobre o assunto.
Ao engravidar novamente decidi informar-me melhor.
Refiro-me à amamentação. No segundo dia do meu filho mais velho fui levada a pensar, pelas enfermeiras do hospital onde nasceu, que o M ficava com fome com o meu leite, saímos de lá com leite materno mais suplemento a cada mamada. Na altura não consegui procurar ajuda para reverter a situação, não sabia onde a procurar, e assim foi até aos seis meses, quando deixou de mamar.
Agora, vamos em quase cinco meses, sinto-me muito feliz e orgulhosa pois amamento o G em exclusivo.
Escrevo este artigo a todas as mães, grávidas e futuras grávidas. Se é vossa intenção amamentar lutem por isso.
Infelizmente, muitas são as pessoas, incluindo profissionais de saúde, que tentam impingir leites adaptados. As desculpas são muitas, desde o leite da mãe ser fraco, a mamar com muita frequência.
Terão que ser fortes e firmes na vossa vontade de amamentar. Eu, antes de ir para o hospital avisei o meu marido de algumas coisas, uma delas a de não me deixar ceder quando falassem em suplementos, outra que aceitasse toda a medicação para estar sem dores e poder cuidar do nosso menino.
Não há leites fracos.
Há bebés com dificuldades em fazer uma boa pega e aí as enfermeiras devem ajudar, caso contrário as CAMs são especializadas nisso mesmo e existe uma em cada canto do país.
Há leites que demoram mais a subir, até lá produzimos colostro que é tudo o que o bebé precisa nos primeiros dias.
Há bebés com maior ou menor necessidade de mamar, alguns de hora a hora, outros mais espaçado, no entanto, nos primeiros dias e até a amamentação estar bem estabelecida não é aconselhável fazerem intervalos maiores do que três horas.
Se com o M não tive problemas de pegas ou aumentos de peso, com o G tinha que o acordar para mamar pois perdeu muito peso nos primeiros dias e não o estava a recuperar. A 'receita' que usei foi acordá-lo de 3 em 3 horas durante o dia, a contar do início de cada mamada, e deixá-lo acordar sozinho durante a noite. Custava-me imenso acordá-lo, mas ao fim de uma semana ele começou a acordar sozinho quando se aproximava a hora de mamar e ver o resultado na balança encheu-me de orgulho do meu menino e confiança em mim.
Tendo tido um parto por cesariana a posição para amamentar que adotei inicialmente não foi a melhor, ao final de alguns dias ainda sentia dores quando o G mamava e com receio de que piorasse falei com uma amiga CAM que me ajudou a encontrar uma posição melhor para que ele fizesse uma boa pega e eu não tivesse qualquer desconforto. Adotei a posição de futebol americano, com o corpo dele ao meu lado e a cabeça apoiada na minha mão. Rapidamente senti melhorias.
Hoje, quase cinco meses depois, continuo a partilhar estes momentos de cumplicidade e amor, cheia de orgulho do meu menino.
Às mães que por diversos motivos não podem ou por opção não amamentam, não tenham receio de o admitir, os vossos bebés irão crescer na mesma e certamente que encontrarão outros momentos para terem o vosso momento de cumplicidade.