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A essência do Natal



Eu e o Natal temos tido uma relação complicada.  
Fui apaixonada por ele, desiludi-me. Voltei a apaixonar-me, odiei-o. Aceitei-o de volta relutante, correu bem durante uns tempos, mas acabei por me desiludir de novo. 
Era nesse ponto que estava a minha relação com o Natal antes do meu filho nascer. A magia parecia ter-se esgotado. A minha capacidade de acreditar que o Natal é amor, gratidão e generosidade, estava por um fio. Mas quando parecia que já não havia esperança para o Natal dentro de mim, dei à luz, ou melhor, recebi a luz.

Dizem que o Natal é das crianças, e dito assim, parece simples, tão simples que qualquer criança o entende. No entanto, foi preciso uma para me ensinar que o Natal é de quem aceitar a sua simplicidade sem questionar. De quem se entregar ao sorriso fácil, aos abraços apertados, e àquela música que mesmo quando nos irrita, não nos sai da cabeça. O Natal é nosso se deixarmos de nos levar tão a serio, se deixarmos vir ao de cima a criança que fomos (e somos). Se descomplicarmos. 
Agora, em cada Natal, quando me sinto a sucumbir num mundo de expectativas alheias, olho para a alegria do meu filho e renovo em mim este espírito. Sei que o presente, o melhor presente, é a partilha com as pessoas que estão presentes em nós, aqui e agora, ou que mesmo ausentes, são (e estão) presentes no nosso coração. O resto são pormenores.


E é isto que o meu filho me relembra a cada ano que passa, e que eu quero que ele nunca esqueça. O que realmente importa é o sentido de pertença, da partilha, e da gratidão. O Natal é luz, e essa luz tem de vir do nosso coração, porque o Natal somos nós.


Feliz Natal.