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12 meses tua




“Filha,
12 meses têm, aproximadamente, 365 dias… 8760 horas… Destas, foram poucas as que não passei junto a ti ou, pelo menos, debaixo do mesmo teto. Foram ainda menos aquelas em que, não estando fisicamente contigo, não pensei em ti. Como é que estavas, se tinhas frio, se tinhas fome, se sentias a minha falta, pois eu tenho sempre a certeza de sentir a tua, por pouco tempo que me afaste.
Nunca planeei ficar em casa durante o teu primeiro ano de vida. Podemos dizer que as circunstâncias o proporcionaram e o que era temporário deixou de o ser. Ainda hoje, nada está planeado. Para onde vais, quando vais... Acho que estou à espera que me dês um sinal de quando chegou a hora de cedermos ao infantário e à casa da avó. Para já, deixo prolongar esta nossa doce rotina até tu mo “permitires”.
Muitas vezes me perguntam, se não sinto falta de um trabalho que me estimule, de sair. A resposta é simples: Sim, sinto. Mas já sentia falta de um trabalho que me estimulasse, muito antes de existires. E a liberdade de sair, essa perdi no momento em que nasceste, pois mesmo quando te deixo para sair é mera ilusão, pois não saio sozinha: levo-te em mim. Não há “liberdade”.
Nestes 12 meses, houve de tudo: lágrimas de alegria, de dor, de tristeza, de angústia e de medo, de muito medo. Se ele já desapareceu? Não e sei que nunca desaparecerá. Medo que fiques doente, que caias, que sofras, que te magoem. Como se ultrapassa esse medo? Não se ultrapassa. Aprendemos a usá-lo em nosso favor. Torna-nos mais alerta e vigilantes, cientes de que é apenas isso que podemos fazer. O resto está nas mãos da vida. Se é cansativo? Sim, é. Quem disse que não era?! Perco algumas vezes a paciência. Sinto-me muitas vezes cansada, como não me sentia quando regressava diariamente do trabalho. Se é recompensador? É, sem dúvida.

Apesar de estares diariamente ao meu cuidado, sei que não és minha. Sei-o desde o momento em que saíste de dentro de mim. Fico feliz quando vejo que és feliz junto de outros que te amam e fico imensamente feliz por saber que és tão amada por tanta gente. Fico feliz quando o teu olhar me procura no meio da multidão, apenas para saberes que o meu colo incondicional está por perto, no caso de precisares.
Nestes 12 meses que já passaram, ficaste menos minha, enquanto eu fiquei cada vez mais tua. Por isso, não és há 12 meses minha, mas eu sim, sou há 12 meses tua… E é assim que deve ser!”