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Um dia na praia e uma bicicleta


Um dia na praia e uma bicicleta. E os miúdos que são todos diferentes. Mais ou menos meigos. Mais ou menos emotivos. Mais ou menos enérgicos.
Sentimos e observamos isso no nosso dia-a-dia e temos essa informação de forma muito clara quando interpretamos as tabelas sobre os estágios de desenvolvimento infantil. As escalas temporais são tão alargadas que as crianças têm obrigatoriamente de reflectir aquilo que todos somos enquanto adultos. Diferentes e com apetências naturais distintas.
Quando se está a alcançar um determinado patamar na escala temporal e ainda não foi atingida uma determinada apetência, é todo um drama. E estou, naturalmente, a excluir aqueles comentários maravilhosos “o meu filho com 4 meses já falava latim e dava saltos encarpados”. Quando o limite da escala é atingido e a criança ainda não faz, ainda não consegue, ainda não é capaz, soam sirenes na cabeça dos pais.
Eu prefiro viver com essas sirenes de forma consciente, assumida e clara. Perante mim própria, perante os médicos e acima de tudo, perante a minha filha. Não sou de fazer de conta que não vejo ou de esconder. Dela ou de mim. E por isso vamos atrás, exames, análises, especialistas. Os melhores especialistas. Terapias, estimulação e muita, muita atenção e dedicação.
Literalmente baby steps. Subir escadas. Pular com os dois pés. Aprender a pedalar.
E um dia levamos a bicicleta connosco. E soa a sirene. Mas é diferente. E é uma felicidade calma, apaziguadora e plena.  

O meu pai diz que ela só não vai ser maratonista. Eu digo que não sei. Às vezes as dificuldades fazem-nos escalar o iceberg desde as profundezas e chegar ao pico mais depressa do que os que já estavam fora de água. Mas mesmo que não sejamos os primeiros a cortar a meta, não tenho dúvida de que a sensação de sucesso e de concretização é absolutamente avassaladora. Os sorrisos dizem tudo.

Artigo adaptado de www.eutueosmeussapatos.com