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Puberdade e maternidade


Tanta coisa boa se pode dizer da maternidade, tanto amor.
Quando os nossos filhos nascem são uma perdição, até começarem a chorar toda a noite e nós nos transformarmos em zombies.
Vão crescendo e continuam maravilhosos aos nossos olhos, começam a comer sozinhos e as paredes de casa a ganhar novas tonalidades, depois começam a andar e tudo o que temos pela casa parece ganhar pernas e começam a aparecer noutros cantos.
Depois chegam os dois anos, e com eles a fala, e nós só desejamos conseguir ter 2 minutos de silêncio, mas sem sucesso. Também por volta desta maravilhosa idade surge o bendito “não”, não porque não, simplesmente porque esses seres pequenos que nós acolhemos com muito amor, se descobrem como seres separados de nós e querem fazer-se entender que agora já podem se afirmar (com conta, peso e medida).
Depois vem a fase “engraçada”, em que dizem umas coisas e todos se riem. Mais tarde a entrada na escola e o rebuliço dos horários (escola, trabalhos de casa e atividades extra curriculares) e lá andamos nós, em modo Ayrton Senna, a correr de um lado para o outro.
E depois chega a tão indesejada puberdade, aquela fase antes da outra fase que todas esperamos que chegue muito tarde, mas que cada vez chega mais cedo, a adolescência.
Aqui por casa, tenho uma filha com 11 anos, que ainda é menina, que ainda gosta de brincar mas tem dias que está no pico dessa fase, aquela primeira que nos dá uma vontade incrível de visitar o Ikea e trazer um armário bem grande, onde possam berrar todas as frustrações longe dos nossos ouvidos cansados.
Cada dia é um drama diferente, com mais ou menos intensidade a vida roda em volta de uma qualquer desgraça que pode acontecer só porque nós dizemos “não” a um qualquer desejo.
Admito que não me apetecia passar por está fase. Tento que ela perceba que as coisas não são tão dramáticas, que a vida resolve, que a vida continua e muitas coisas mais estão para chegar e ser vividas.
Agora respiro fundo, lidar com estas birras é bem mais desgastante que as birras da C pequena, que apenas tem 4 anos.
A vida continua, ela cresce e transforma-se, eu estou aqui, ao seu lado, levando o leme o melhor que consigo, porque eu também estou a crescer como mãe.


Artigo adaptado de www.aminhamenteinquieta.pt