0

Novembro: Mês da adoção


Nos EUA, o mês de novembro é o mês nacional da adoção. Por cá ainda não criamos um mês, e por isso tenho tentado celebrar, de uma forma ou de outra, durante o mês de novembro.
A adoção não é mais do que amar os nossos filhos incondicionalmente, independentemente da forma ou da idade com que chegaram até nós, e daquilo que tenham vivido anteriormente. Muitas vezes isso significa receber um/a estranho/a em nossa casa e abrir o coração à possibilidade do amor enquanto esse estranho/a se transforma no nosso filho. Para a maioria das pessoas, esse amor não nasce instantaneamente, desde o momento em que vemos o nosso/a filho/a, ou vemos uma foto. O amor é uma construção, e essa construção faz-se com um filho que adotamos da mesma forma de que se faz com um filho que nos chegou por via biológica. O amor constrói-se e vai-se moldando à personalidade de cada um. E essa construção é um processo absolutamente maravilhoso!
Curiosamente, a maioria das pessoas estranha, ou não percebe, que isso seja possível com um filho que não nasce de dentro de nós, embora admita de imediato que isso aconteça com um nascimento.
Mas a verdade é que ninguém estranha que um pai possa amar os filhos da mesma forma que a mãe, mesmo sem os ter carregado dentro de si.
Lembro-me de uma amiga me ter dito que queria um filho que fosse mesmo seu. Eu não lhe disse na altura, mas devia ter dito, que a nossa filha é mesmo nossa, tão nossa quanto a outra, tão nossa quanto possível. Que essa pertença nos faz ficar felizes com a sua felicidade, e tristes e preocupados com a sua tristeza, que nos faz saltar com o seu choro, que nos enche de orgulho em cada conquista, que nos faz acordar a meio da noite e mandar embora os sonhos maus, e achar que ela é a miúda de 5 anos mais fantástica que existe (mas é mesmo!). Há mais nosso que isto? A diferença é que quando um filho vem pela via biológica ninguém questiona o amor. Mas, para a maioria das pessoas que adotam, os filhos são todos verdadeiros, e o amor é tão diferente quanto é o amor por duas pessoas diferentes. E tal como não é óbvio que todos possam amar os seus filhos de forma incondicional, também não é verdade de que exista um limite biológico para esse amor, ou de que ele dependa da biologia, pelo menos para algumas pessoas.
E por isso, por este amor que pude construir, apetece-me celebrar todos os dias a chegada da nossa filha e a forma como ela entrou na nossa vida. Celebrem connosco durante este mês e com todas as maravilhosas famílias construídas pela adoção. São muitas, e eu tenho tido a sorte de me ir cruzando com elas aqui e ali ao longo destes anos.


Artigo adaptado de www.domiradouro.blogspot.com