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Ir ou ficar


Ser mãe é esta ambiguidade de sentimentos. 
É estar constantemente com um pé do lado de fora e outro dentro. É ter saudades de fazer tudo o que se fazia antes e querer constantemente arriscar coisas novas. É equilibrar perfeitamente bem na balança do coração quem já existia e quem entrou de novo. É sair e respirar fundo o ar libertador de umas horas por conta própria e voltar de coração apertado pela preocupação de saber se está tudo inteiro. É sorrir logo pela manhã ao bebé mais querido do mundo que não nos deixou pregar olho a noite inteira. É embalar, dar todo o colo do mundo, banho, passeá-los pela casa, pela rua, tirar e arrumar carrinho no porta bagagens, vestir, alimentar, adormecer durante o tempo que for preciso e ao fim de cinco minutos de ginásio estar “toda rota”. É responder mal devido ao cansaço acumulado e olhar para eles e enchê-los de beijos nas bochechas. É o entusiasmo de um novo filme para ver e estar a dormir ao fim de dez minutos no sofá. Planear um fim-de-semana apenas a dois, para recuperar o tempo perdido, mas imaginar as fotografias e as experiências a três. É um constante querer ir e querer ficar. Ir e querer voltar. Voltar e querer ir outra vez. É, no fundo, querer ter o super poder da divisão. Estar lá sempre, mas viver tudo na mesma, dentro e fora de casa. Dentro e fora da vida deles. Estar presente em todos os segundos, todos os centímetros e todas as gramas e, mesmo assim, não querer  perder um segundo de nós mesmas.