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Eu só quero a Mãe!




Andamos há uns largos meses, (para não dizer desde que a Alice sabe exprimir o que quer) em que enfrentamos quotidianamente crises de “Mãezite” aguda.
Basicamente a nossa querida caracoleta quer a minha pessoa para absolutamente tudo e o simples vislumbre do Pai para a ajudar numa tarefa como tomar banho, vestir ou adormecê-la, equivale a uma aparição do capeta. “O Pai não! Eu quero a Mãe!”
Tem sido algo muito complicado aqui em casa, porque o Pai acaba por ficar frustrado e muito triste, claro. Já tentámos desmitificar, que é uma fase, e que como reza a lenda, ela irá querer ser a “menina do papá”, mas o que é certo é que até agora é mesmo tudo a Mãe. Tentámos várias vezes contrariar, porque regra geral, as crises só acontecem quando eu me encontro em casa, mas resulta sempre em choro compulsivo e muitos gritos. Desafio qualquer Mãe a ficar quieta, enquanto ouve a tempestade em que o marido se encontra sem intervir. Não costumo ceder mas não é nada, nada fácil. E acrescento, connosco não resulta. Poderia ser por algum excesso de zelo da minha parte, mas não é de todo o caso, até porque muitas vezes não me dá jeitinho nenhum ficar a dar mão para ela adormecer ou acabar um turno da noite e ter ainda de dar um banho à pipoca às nove e meia da noite, enquanto me aguardam múltiplas tarefas, e o pai poderia perfeitamente colaborar. Complicado.
Apesar da Alice ser uma menina que fica facilmente com outras pessoas, e considero que tem um desenvolvimento normalíssimo, tudo o que envolva colaboração do Pai é rejeitado. Mas então qual é a solução?
Bem, não temos solução nenhuma. Já lemos e pesquisámos imenso, e todos os livros dizem o mesmo:  Aguardar. Esperar que passe, é só mais uma fase. Sim é uma fase, mas é muito desgastante, quer para a Mãe quer para o Pai que vê a sua participação reduzida. Até lá vamos tentando inserir o Pai em mais brincadeiras, em mais passeios só os dois, em tarefas simples do dia a dia como lavar os dentes, vestir ou na preparação de uma refeição.

Acreditamos que com uma boa dose de bom senso, amor e muita paciência consigamos desenvolver o relacionamento de ambos. Cabe a mim como Mãe, acalmar o coração do Pai que numa situação destas, e embora não queira reconhecer, sofre muito com o distanciamento da nossa filha.