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Esgotamento na Maternidade


Quando o meu filho nasceu, eu não sabia muito sobre a Maternidade. Apesar de a gravidez me ter parecido uma eternidade, desde o nascimento até ao dia do 1º aniversário, foi uma viagem à velocidade da luz. Estava tudo bem, dentro do esperado e mais ou menos como tinha idealizado até então. Nada fazia prever, que de um momento para o outro, fosse tropeçar em mim mesma e deixar-me cair tão fundo. Era um ano em grande, concretizámos todos os nossos planos. Naquele dia, era no meu aniversário, e eu, ia casar com o meu melhor amigo, com o nosso filho já no colo. Só que não me sentia bem…O meu filho fazia um ano, e eu, que sempre adorei escrever, não tinha palavras para lhe dedicar. E mais uma vez, lutava com a minha voz interior. Só queria estar feliz, leve e realizada! Depois das primeiras férias a três, comecei a sentir-me doente! Ainda íamos a meio e já temia o fim. Nem sequer tinha que voltar para um emprego. Tinha o meu filho tão perto, sempre comigo. Ia somente voltar à nossa rotina habitual. Mas sentia-me sozinha e vazia! Não queria que o meu Marido voltasse ao emprego dele nem por nada. Foram muitas as manhãs em que, a acabar de me levantar, voltava a deitar-me no sofá e chorava! Pedia-lhe tanto que não fosse, que não me deixasse! Não tinha forças, não tinha vontade, doía-me o corpo e a cabeça, apetecia-me vomitar... Doía-me mais ainda, sentir e saber que o meu filho precisava tanto de mim. E eu, não era mais a mesma Mãe! Deixei de sair de casa, só queria dormir e chorar, sem razão aparente! Achei que ninguém compreendia o meu cansaço! Não me faltava nada, o meu filho era, e é, incrivelmente perfeito para o meu coração! Não compreendia a razão para me sentir tão insignificante, tão horrível, tão sem energia. Esqueci-me de quem eu era, desisti de mim enquanto Mulher. Descarreguei muitas vezes naquele que nunca desistiu de mim, mesmo quando o afastava. Passei a ir cada vez menos ao ginásio e desculpava-me com todas as dores. A dada altura, guardava tudo só para mim, para não ter que o fazer á frente do meu marido que já não podia ver-me assim, nem do meu filho que não merecia nem compreendia. Foi durante essa fase, que lhe elevei a voz e lhe bati na mão. Perdi a cabeça, o controle, e não podia tê-lo feito! Havia uma parte de mim que morria naquele instante. Foi quando já não aguentava ver-me num corpo que desconhecia, numa figura que não era a minha, numa postura de Mãe que não condizia comigo nem com os meus ideais, que procurei respostas. Desconfiava do diagnóstico, só não queria acreditar. Esgotamento! Sim, eu tive! Não era uma depressão dita normal ou pós -parto. Era "só" o limite do meu cansaço que há muito havia sido ultrapassado. Exigia de mim ser a Super Mulher, a esposa e Mãe perfeita. A filha, irmã, neta, amiga, exemplar. O que eu não sabia, era que não tinha que o ser, de forma alguma! Foi quando me debatia com aquela nova realidade na minha vida, que acordei desse pesadelo. Dei a volta por cima, passei a acordar todos os dias com um sorriso, acreditei que pensamentos positivos só atraem coisas boas, voltei a cuidar de mim tanto quanto eu merecia. Mais do que isso, continuei a dedicar-me a 100% ao meu filho. Já passou 1 ano e agora está tudo bem! Ninguém disse que ser Mãe seria um mar de rosas. É somente a profissão mais exigente do Mundo e talvez a menos reconhecida. Também não é fácil oferecer um ombro para alguém chorar. Custa muito quando se é amigo ou familiar e vemos a outra pessoa desolada, e a lamentar-se constantemente. É compreensível que todos vivamos á margem dos nossos problemas, e não queiramos os dos outros, para nada. Acredito que seja uma impotência muito grande para quem está de fora, mas é bem maior para quem está "perdido" numa mistura de sentimentos inversos e descontrolados. É nestas alturas que esperamos que nos abram o coração, sem julgamentos, sem culpas, e nos abracem… que nos deixem ficar nesses abraços demorados, em que além de nós e dos nossos filhos, tudo o resto pode esperar!
Às outras Mães, quero lembrar, que apesar de sermos sempre as mais vulneráveis as estas questões, seremos sempre, também, as mais capazes de superar qualquer obstáculo. As mais determinadas a seguir em frente, com coragem e muito amor. Antes de amar os outros, devemos amar-nos a nós mesmas, sem duvidar das nossas capacidades, sem exigir mais do que realmente podemos dar ou fazer! Acreditar, que tal como muitas outras fases, vai passar, vai ficar tudo bem, porque vai mesmo!