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És vegetariana? E os teus filhos também??!





Esta pergunta é comum e sinto sempre que me perguntam num tom de misto de crítica com “grande corajosa”. Geralmente, ficam mais descansados com a minha resposta.
Então, sou vegetariana e comi carne e peixe durante muitos anos. Sem nenhuma convicção.  Depois de fazer o meu curso percebi que não ia morrer sem carne nem peixe e fiquei felicíssima!
E assim de uma hora para outra optei por eliminar a carne e o peixe em casa.
Criei uma tabela para os vários dias de semana, sabemos sempre qual é o dia dos ovos, o dia do peixe (porque todos adoravam o salmão que sempre fiz às segundas-feiras), o dia das leguminosas, o dia do seitan, tofu ou tempeh, e o dia dos “croquetes, hambúrgueres e bolinhas vegetarianos”.
Como todas as crianças, há dias que gostam e outros que não gostam... Também crio bastantes receitas e por isso às vezes até têm razão...
Mas na escola, não são vegetarianos. Perguntei-lhes, experimentaram durante uma semana e não gostaram nada. Infelizmente, a maioria das escolas não sabe cozinhar comida vegetariana e limita-se a fazer pouco mais que brócolos e espinafres com ovos. Quem é afinal a criança que gosta de ver “verdes” no prato?
Desta forma, os meus filhos não são vegetarianos, embora em casa as refeições sejam vegetarianas.
Mas, mais importante que serem ou não vegetarianos, é importante ensinar-lhes a fazer boas escolhas alimentares, a diversificação alimentar e dar-lhes alimentos verdadeiramente nutritivos.
Mas também não sou castradora nem os obrigo a comer só comida saudável.
É preciso ter consciência que muitas limitações poderão originar problemas de socialização na escola, por serem “os diferentes”; poderão até ter uma enorme impacto na sua personalidade no futuro ou causar-lhes distúrbios alimentares.
Por isso, na escola fazem o regime alimentar normal, em casa e comigo fazem uma alimentação saudável, com muitos alimentos nutritivos e sem falsos alimentos, como os processados ou doces. O que não invalida comerem uma pizza ou batatas fritas de vez em quando ou um chupa-chupa de mês a mês.
Há que haver equilíbrio e não fundamentalismos. Acredito em crianças mais felizes assim.

Sara Marques dos Santos
Autora do blog www.sdesalada.com e www.potiq.pt