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Encontrar o equilíbrio


Conheci recentemente através de uma amiga, uma mulher, mãe como tantas de nós. Partilho aqui esses momentos, e parte da nossa breve conversa, porque me recordou uma fase da minha vida. Porque me reconheci nela, nos meus primeiros anos de maternidade. As olheiras, o cansaço, a vontade de falar com outros adultos de tudo e de nada. A vontade de ser vista como pessoa e não só como mãe. E ao mesmo tempo a culpa por ter essa necessidade. Dizia-me, que a vida social dela, depois dos filhos tinha mudado radicalmente. Não o dizia com amargura ou raiva, mas com incredulidade. Não se surpreendeu com a mudança, já sabia que não iria conseguir dispor do seu tempo da mesma forma, mas com o facto de ter sido “riscada” dos programas com os amigos de sempre.
Explicou-me que entendia e aceitara que não podia manter muitos dos velhos hábitos, crescer também era isso, mudar. No entanto não estava á espera de ver os amigos de sempre a afastarem-se, só porque deixara de estar sempre disponível. “Não é má vontade, mas o tempo não dá para tudo, e as circunstâncias mudaram” dizia-me ela. No fundo sentia-se dividida entre a vontade de ir e a culpa. “Às vezes até me apetece sair, ir ao cinema ou acompanhá-los noutros programas, mas a verdade é que não me parece justo, deixar o meu marido com os nossos filhos, e ir sozinha”. 
Não sou de impingir teorias a pessoas que mal conheço, por isso limitei-me a ser solidária, a dizer que a compreendia. Porque eu sabia bem do que estava ela a falar, porque também me senti assim durante algum tempo. Culpada, entre a vontade de ir e a necessidade de ficar. Sentida, até conseguir gerir as minhas novas prioridades.
Hoje sei que é essencial conseguir um certo equilíbrio para não cair no desespero. Os nossos verdadeiros amigos, entendem a mudança e acompanham-na, mas nós também temos que fazer um esforço. Falar com eles, mostrar-lhe que ainda fazem parte de nós, que nos fazem falta, que apesar da nossa disponibilidade já não ser a mesma, é muito bom tê-los por perto. Vale a pena planear com eles, programas novos onde caibam as necessidades de todos, onde todos se divirtam. Nem sempre é fácil, mas é vital conjugar a pessoa que somos, com o nosso papel de mãe e de esposa, porque somos muito mais que os papéis que desempenhamos ao longo da nossa vida. E os nossos amigos, os que gostam de nós, e de quem nós gostamos, os que vemos no nosso passado e sem os quais não concebemos o nosso futuro, valem esse cuidado extra.