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EDUCANDO NA BARRIGA – 2ª parte

Atitude mental e espiritual (continuação)

Uma mulher grávida deve evitar ver imagens fortes e colocar-se em situações que a possam constrangir, e, caso isso aconteça, é aconselhável que tente, da melhor forma que conseguir, comunicar com o bebé. Falar, repetir-lhe as mesmas frases, tranquilizá-lo, explicar-lhe o que se passa quando a mãe estiver a ter um sentimento negativo muito forte, são práticas de grande importância. Uma sugestão é, todos os dias, à mesma hora, a mãe reservar um período específico para um encontro de amor com o bebé - contar-lhe o seu dia, perguntar-lhe como se sente, dizer-lhe como será belo, saudável e bem cuidado...
Aprender a comunicar com bébé na barriga facilitará a comunicação após o nascimento, apesar de algumas mães se sentirem inibidas de falar “sozinhas”. A ausência de feedback claro do outro lado não significa que a mensagem, de alguma forma, passou. A comunicação não acontece apenas por palavras, mas por sensações, percepções. Se estiver calma, está a comunicar calma. Se estiver alegre, comunica alegria. Logo, se pretender explicar algo ao bébé, pense, fale, sinta. Ele compreenderá, no mínimo, a sua intenção, a sua aproximação e presença.

Prestar atenção ao seu lado mais profundo, espiritual, pode ajudá-la a compreender melhor quem é e, por consequência, os outros. É o melhor treino para a fase que se avizinha. Mais um ser a viver consigo, mais necessidades, mais personalidades, mais conflitos. É normal. Não se force a nada, inclusive a isto que acabei de escrever, mas experimente desacelerar e escutar mais o bater do seu coração. Quem sabe se escuta outro também e juntos criam um ritmo novo.

Uma grávida sente muitas coisas (para além das mudanças hormonais há um outro ser dentro de si!) e sente tudo de uma forma mais intensa. Preste atenção às alterações de humor, à irritabilidade, vitimização. Experimente agradecer e respirar fundo. Limpe e arrume a casa, prepare as roupas, cuide do lar. Amar é também cuidar, por isso, prepare bem a chegada do bébé. Este sentido de ordem, gratidão e tranquilidade serão transferidos.

Visualizar imagens belas e tranquilas também modificam positivamente a qualidade vibratória das células em formação do novo ser. A canalização da imaginação para a inteligência, para a bondade, para a sabedoria irá impregnar estas qualidades na criança.

A Importância da Música
A frequente audição pela mãe e pela criança duma música suave estruturada e estruturante, é benéfica tanto a um como a outro. Os pais podem também constatar que a criança reconhece as músicas ouvidas durante o período pré-natal e que estas a apaziguam. A música clássica, particularmente Mozart, parece ter efeitos altamente benéficos no desenvolvimento neurológico do bebé. Estudos científicos verificaram a reacção dos fetos a diferentes músicas. Assim, Brahms e Beethoven agitam-nos, enquanto Vivaldi e Mozart os sossegam. As obras mais apreciadas deste compositor são as da sua juventude. Música com fortes graves martelam a parte inferior da coluna vertebral da mãe e atinge directa e fortemente o bebé que reage e se defende dando pontapés. Há necessidade, por parte da mãe, de escolher simultaneamente uma música que aprecie, mas não deixando de estar atenta às reacções da criança que carrega no ventre. Uma audição repetida de determinada música pode até conduzir à aprendizagem. O bebé pode registar os sons que ouve e será certamente apreciador de música, no mínimo.

Preparação para o Parto e Nascimento
Esta confiança, segurança, atitude consciente e positiva irá permitir que o bébé se sinta mais confiante. A mãe sabe o que está a fazer e é só isso que ele precisa sentir.

Mas, e se não sabe?? E se está insegura?
Ao admitir que não sabe, já está a abrir a porta à aprendizagem e é isso que importa.

Com o parto é normal as mulheres admitirem a sua insegurança e mesmo medo. É um processo que as assusta e, para que “escapem” dele, da sua intensidade, foram criadas soluções médicas que não permitem a sua vivência plena. Eu acredito que devemos fazer aquilo que conseguimos em cada momento e que não há opções melhores ou piores, mas não posso deixar de partilhar algumas sugestões que são capazes de ajudar a grávida a sentir mais confiança em si mesma, no seu corpo, na natureza. Fá-lo-ei no próximo artigo.


NOTA: Na elaboração deste artigo e do anterior inspirei-me em dois livros que me ajudaram a compreender mais profundamente a importância da gravidez na saúde e personalidade das crianças: Educação Pré-Natal de Marie-Andrée, e Macrobiotic Child Care & Family Health de Kushi, Michio & Aveline