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E de repente…não está tudo bem!


Saber que se espera um bebé é um momento mágico para qualquer casal; a primeira eco, o som do coração…e de repente o silêncio da médica, quebrado alguns segundos depois por um “bem pais, agora vamos conversar um pouco”.  O nosso mundo fica em suspenso. O que é que está mal com o bebé? “Não se preocupem, pode não ser nada, mas o valor da translucência da nuca está um bocadinho elevado” . Depois disto não ouvi mais nada, o meu coração parou e na minha cabeça ficou um vazio. Não conseguia pensar, nem me lembro de sair da clínica, apenas de entrar no carro e de sentir as lágrimas correrem no colo do B.
Estava tudo perfeito, o nariz, os dedos, afinal que raio de valor seria aquele? A verdade é que quanto mais pensava no assunto mais tinha a certeza de que não podia entrar em pânico e que podia realmente não ser nada.
O exame da translucência da nuca é efetuado na primeira ecografia da gravidez e consiste na medição de uma área cheia de líquido, localizada na parte posterior do pescoço do feto. Uma translucência da nuca aumentada pode ser um sinal de apresentação precoce de uma série de defeitos fetais cromossómicos, genéticos e estruturais. É um dos indicadores de que o bebé pode ter uma trissomia.
Nos dias que se seguiram, tentámos não falar sequer no assunto, tínhamos marcada a recolha de sangue para fazer um dos testes, o Harmony, que cerca de 15 dias depois chegaria com certezas. Mas antes disso tínhamos de ganhar coragem para ter uma conversa, a mais dolorosa até hoje: e se o bebé tiver trissomia? Não só a hipótese de trazer ao mundo uma criança com uma deficiência estava a ficar cada vez mais real, como se tornava cada vez mais claro que teríamos de tomar uma decisão quanto a isso. Teríamos nós capacidade de lidar com a situação? E quando já não estivermos cá? As perguntas amontoavam-se nas nossas cabeças e estávamos longe de encontrar respostas.
Felizmente, 20 dias depois, cá estava o resultado, o risco de ter qualquer uma das trissomias é menor que 0,01%. Quando o B começou a ler a carta, as lágrimas corriam-lhe pela cara... foi um dos dias mais felizes das nossas vidas. Afinal, tudo não passou de um enorme susto, a nossa bebé é saudável! Sim, “A” bebé; é uma menina, a nossa menina!

Sei agora, que é muito comum haver um valor “menos bem” em alguma das muitas análises e exames que se fazem, mas também sei que, quando nos toca, dói muito. De uma coisa tenho a certeza: é verdade quando dizem que pensamos saber o que é amor, até que algo pequenino cresça dentro de nós e nos mostre o que é amar verdadeiramente!